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Terça-feira, 22 de setembro de 2026

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Contrato de R$ 427 milhões liga escritório da “turma do KN” a precatórios de Vorcaro

Acordo de honorários com o escritório de Camilla Ramos dependia de êxito em 12 processos; ministro e desembargador contestam qualquer ligação funcional

Por Redação
Publicado em 22/09/2026 às 01:04

Arquivos enviados pela Polícia Federal ao Supremo e obtidos pelo Metrópoles descrevem um contrato de advocacia entre o Banco Master e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, representado pela advogada Camilla Ramos. O documento prevê honorários de 5% líquidos sobre o valor efetivamente recebido pelo banco em 12 processos. Pelo valor de face informado — cerca de R$ 8,5 bilhões — a remuneração de êxito poderia chegar a R$ 427 milhões, pagos em até cinco dias após os ganhos. 

As ações tratam de indenizações ligadas ao controle de preços do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool. O Master figura como credor ou cessionário. O contrato autorizava o escritório a receber da União a parcela dos honorários e a inscrever precatórios em nome próprio. O Globo confirmou o documento e uma planilha com a estimativa de R$ 8,5 bilhões. 

Nas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, auxiliares chamam Newton Ramos, desembargador do TRF-1, e a mulher, Camilla, de “turma do KN”. KN, no contexto das conversas, remete a Kassio Nunes Marques. Há pedidos de diária no Fasano Itaim, camarote na Sapucaí e ingressos de Fórmula 1. Em um diálogo reproduzido pelo Metrópoles, uma assessora encaminha: “Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano.” Vorcaro responde: “Pode botar na minha conta.” 

Kassio Nunes Marques afirmou que nunca votou a favor de Vorcaro ou do Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nunca autorizou ninguém a falar em seu nome. Sobre o julgamento das usinas na Segunda Turma, disse que constava impedimento por ter atuado no TRF-1, depois entendeu que a tese era ampla, pediu retificação e votou no mesmo sentido que já adotara no tribunal regional. Newton Ramos declarou relação pessoal anterior com Vorcaro, disse que a mulher atua em causas cíveis do Master e que jamais julgou causa de interesse do banco. Reportagem do R7 atribui ao escritório a informação de que não atuou no STF e não tem vínculo com o ministro. 

O material integra o HD remetido em julho ao gabinete de André Mendonça, relator do Caso Master. Contrato de êxito e mensagens de hospitalidade não equivalem, por si, a condenação. O que está documentado até aqui é o percentual, o objeto das ações e o vocabulário usado pelos interlocutores de Vorcaro.