O ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal das investigações da Operação Compliance Zero, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste, em cinco dias, sobre relatório da Polícia Federal que reúne textos encontrados no celular de Daniel Vorcaro.
Nos registros — parte deles em bloco de notas, depois enviados como print de visualização única —, o dono do Banco Master afirma que precisava de proteção de “Andrei” e “Paulo”, identificados pela PF como o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em um dos trechos mais citados, Vorcaro pergunta: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?” e pede que o interlocutor impeça que “ninguém de baixo” faça “alguma sacanagem”, porque “aí vai tudo pro saco”.
A Polícia Federal aponta como hipótese que o destinatário seja o ministro Alexandre de Moraes. A identificação não estava fechada na extração inicial; passou a constar de relatório posterior encaminhado ao relator. Mendonça formalizou o ofício nesta segunda-feira (31), com prazo à PGR.
O contexto é o da liquidação do Master pelo Banco Central e das fases sucessivas da Compliance Zero, que apuram emissão de títulos sem lastro, gestão fraudulenta e organização criminosa, com prejuízo potencial na casa das dezenas de bilhões. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e novamente em março de 2026; Mendonça assumiu a relatoria em fevereiro, após Dias Toffoli deixar o caso em meio a questionamentos sobre relações de familiares com negócios ligados ao grupo.
Paralelamente, o Estadão publicou nesta terça-feira que metadados de minuta contratual indicam edição por perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” no contrato de honorários entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Master, estimado em R$ 131 milhões em três anos. O escritório afirmou que o ministro foi consultado apenas sobre eventual impedimento legal e que não havia ação sob sua relatoria envolvendo o banco.
Até o início da tarde desta terça-feira (1º de setembro de 2026), as assessorias de Moraes, Gonet e Rodrigues não haviam respondido aos questionamentos da imprensa sobre o ofício de Mendonça. O espaço permanece aberto.
A PGR agora precisa dizer se vê nos textos elemento para investigação autônoma, pedido de informações ao STF ou arquivamento da hipótese. Qualquer caminho altera o equilíbrio interno da Corte e a relação entre o relator, a PF e o Ministério Público Federal.