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Sábado, 10 de outubro de 2026

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TRE-PR dá 24 horas para Deltan se explicar sobre dados sigilosos de Zanin no registro

Por Redação
Publicado em 05/09/2026 às 21:04

Presidente do tribunal encaminha o ocorrido ao Ministério Público e determina sigilo imediato em processo de registro de candidatura ao Senado.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, deu 24 horas para que Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo estado, se manifeste sobre a inclusão, no pedido de registro de candidatura, de documentos com dados fiscais e bancários do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A determinação foi divulgada neste sábado (5 de setembro de 2026), depois de ofício do próprio Zanin e de reportagem do Metrópoles. 

Em nota atribuída ao tribunal, o TRE-PR afirmou ter determinado “a imediata atribuição de sigilo a documentos do processo, que soma mais de 5 mil páginas”, e ter “encaminhado o ocorrido ao Ministério Público para as providências cabíveis com relação ao vazamento de dados fiscais sigilosos de terceiros”. A mesma nota, segundo a cobertura, lembra que o protocolo no Processo Judicial Eletrônico (PJe) é feito pelos advogados das partes, a quem cabe marcar o sigilo dos arquivos juntados. 

A relatora do registro, desembargadora Vanessa Jamus Marchi, também determinou que as peças anexadas às impugnações e às contestações fossem tratadas, com urgência, sob segredo de Justiça, com visualização restrita às partes. 

O que foi juntado e de onde veio

Segundo as reportagens, os advogados de Dallagnol anexaram, sem pedido de sigilo, cópias de procedimento que tramita no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o ex-procurador. Nesse material haveria relatórios da Receita Federal relativos a Zanin, à esposa Valeska Teixeira Zanin Martins, ao sogro Roberto Teixeira, a uma cunhada e ao escritório Teixeira, Martins & Advogados, referentes a 2014–2017. 

Esses dados teriam origem na quebra de sigilo autorizada em 2019 pelo então juiz federal Marcelo Bretas, na Lava Jato do Rio, quando Zanin era advogado de Luiz Inácio Lula da Silva. A Segunda Turma do STF anulou depois as decisões e o material obtido a partir delas. Os relatórios reapareceram quando procuradores se defenderam da representação de Zanin no CNMP — processo sob sigilo ao qual Dallagnol, como parte, tinha acesso. 

O gabinete de Zanin, antes do ofício, havia dito que não comentaria. Depois da publicação, o ministro oficiou o presidente do TRE-PR. No texto reproduzido pela imprensa, Zanin pede providências “objetivando sanar essa ilegalidade” e “as comunicações devidas objetivando a responsabilização dos envolvidos, inclusive no âmbito criminal”. Também pediu a intimação de Dallagnol para se manifestar em 24 horas. 

O que diz a defesa

A campanha afirma que as cópias do CNMP foram apresentadas “na íntegra” para responder a impugnações — entre elas a de chapa que inclui o PT — “para não omitir nenhum dado ou informação que pudesse ser relevante”, “de forma transparente e zelosa”. Diz que “jamais teve a intenção de expor dados do então advogado”, e sim de demonstrar elegibilidade. Argumenta ainda que a reclamação de Zanin não foi julgada procedente contra Dallagnol e que o exame do material seria relevante diante do indeferimento do registro em 2022/2023 pelo TSE. 

A ÉNotório não reproduz o conteúdo dos relatórios fiscais. Sigilo fiscal e bancário é proteção legal; a existência de relatório antigo, mesmo anulado, não autoriza divulgação pública. Também não há, nas fontes consultadas, sentença criminal sobre o episódio de 2026: o que há é correção processual no TRE-PR, remessa ao MP e prazo para manifestação.

Situação atual

O processo de registro segue no TRE-PR, agora com restrição de acesso às peças apontadas. Cabe a Dallagnol se manifestar no prazo fixado. O Ministério Público deverá avaliar as “providências cabíveis”. O ofício de Zanin pede também via criminal, o que depende de instauração e apuração próprias — ainda não relatadas como abertas nesta checagem.