A Procuradoria-Geral da República deu parecer favorável, nesta sexta-feira (18), ao pedido da defesa de Henrique Moura Vorcaro para que ele deixe temporariamente a unidade prisional e realize consulta e exames médicos. A manifestação, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet Branco, foi enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do chamado caso Master.
Henrique Vorcaro é pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master, e está preso preventivamente desde 14 de maio de 2026, quando foi alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal o aponta como demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo conhecido como “A Turma”, estrutura investigada por intimidação, coerção e obtenção de informações sigilosas. Ele é investigado; não há condenação transitada em julgado.
Segundo a defesa, o empresário apresentou sintomas de possível crise de diverticulite e chegou a ser atendido em unidade de pronto atendimento próxima ao presídio. Os advogados pediram autorização para consulta com o coloproctologista Fábio Lopes Queiroz e para a realização de exames complementares indicados pelo médico. Reportagens situam a custódia na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG).
No parecer, a PGR registrou que a avaliação médica feita no sistema prisional indicou ausência de urgência e prescrição de antibióticos “por obstinação do paciente”. Ainda assim, o órgão afirmou não enxergar óbice à saída para os exames solicitados pelo médico particular, desde que o deslocamento observe o regramento do estabelecimento prisional, a quem cabe definir a forma de operacionalização.
A posição da PGR não é decisão judicial e não representa manifestação pela liberdade do investigado. O Correio Braziliense registrou expressamente essa distinção: o pedido analisado é específico para saída temporária destinada a consultas e exames. A palavra final cabe a André Mendonça.
Dois dias antes, em 16 de setembro, a defesa de Henrique protocolou pedido de revogação da prisão preventiva, argumentando que ele está detido há mais de 90 dias e que recursos contra a medida não teriam sido apreciados no STF. Esse requerimento de soltura é distinto do parecer sobre saúde. Não há, nas fontes consultadas, parecer da PGR favorável à revogação da preventiva de Henrique Vorcaro.
Na mesma manifestação de 18 de setembro, a PGR posicionou-se contra a revogação da prisão preventiva de Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, apontado pela PF como integrante do núcleo “Os Meninos”, também alvo da Compliance Zero. A Procuradoria sustentou que permanecem os fundamentos da preventiva, com risco de reiteração e de fuga.
Henrique Vorcaro presidiu o Grupo Multipar. Relatório do Coaf citado pela imprensa aponta movimentação superior a R$ 1 bilhão, entre 2020 e 2025, exclusivamente entre contas ligadas ao núcleo de Daniel Vorcaro. A PF também afirmou ao STF que mais de R$ 2,2 bilhões teriam sido ocultados em conta atribuída ao pai após a soltura de Daniel no fim de 2025. São alegações da investigação, não sentença.
Enquanto Mendonça não decide, Henrique Vorcaro permanece preso preventivamente. Qualquer saída para atendimento médico, se autorizada, deverá ocorrer com escolta e sob as regras da unidade prisional.