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Sábado, 12 de setembro de 2026

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PF diz que grupo de Vorcaro acessou dados sigilosos do MPF sobre Master e BRB: “Quero tudo”

Documento da Polícia Federal reproduz diálogos em que Luiz Phillipi Mourão encaminha resultados de consultas e Vorcaro pede o conjunto das informações; ainda não está esclarecido como as credenciais de servidores foram obtidas.

Por Redação
Publicado em 11/09/2026 às 10:20
Atualizado em 11/09/2026 às 10:36

Um grupo ligado ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, obteve informações de processos sigilosos por meio de consultas registradas em logins funcionais de servidores do Ministério Público Federal, segundo relatório da Polícia Federal tornado público após decisão do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. 

A Folha reproduz mensagens extraídas nas investigações. Em julho de 2025, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — identificado nas conversas como Felipe Mourão e apelidado de Sicário — teria compartilhado consulta nos sistemas do MPF com os termos “BRB AND MASTER”. Vorcaro responde, segundo o relatório: “Quero tudo. Atenção total.” Mourão replica que vai “mandar puxar geral”. 

Em outro trecho, ao ser perguntado quais documentos o então banqueiro queria, Vorcaro teria dito “Todos, obviamente”. No dia seguinte, Mourão afirmou estar com “acesso total e ilimitado” aos sistemas do MPF, sem saber até quando as consultas permaneceriam disponíveis. Parte do material, segundo a PF, estava registrada no login de uma servidora do MPF. A polícia também cita busca feita em 23 de julho de 2024 com o CPF de Vorcaro. Ainda é preciso esclarecer como as credenciais foram obtidas. 

A PF descreve Mourão como executor operacional do núcleo chamado “A Turma”, apontado como estrutura usada para monitorar adversários, obter dados e, segundo a acusação, intimidar alvos. O relatório atribui a ele remuneração de R$ 1 milhão por mês. Entre as funções listadas estão acesso a sistemas sigilosos, monitoramento, coação e articulação com terceiros. 

Mourão foi preso em 4 de março de 2026, na Operação Compliance Zero, em Belo Horizonte. Atentou contra a própria vida na carceragem da superintendência da PF e teve morte encefálica reconhecida. Inquérito da corporação, enviado a Mendonça, concluiu que não houve intervenção externa. 

O caso Master apura, entre outros pontos, a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) e a atuação de um núcleo paralelo de informação e pressão. Vorcaro e demais investigados não foram condenados neste capítulo específico do acesso ao MPF. Não houve, nas fontes consultadas para esta edição, manifestação nova da defesa sobre as mensagens “quero tudo”.

A origem das senhas de servidores, o alcance exato dos documentos obtidos e a responsabilização penal de cada envolvido seguem sob apuração no âmbito do STF e da PF.