Oitiva prevista para 24 de setembro integra a primeira fase da Operação Compliance Zero. Advogados pediram ao menos dez dias após o acesso às cópias atualizadas. Outro depoimento, sobre o grupo “A Turma”, está marcado para o dia 30.
A Polícia Federal adiou o depoimento do empresário Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master, que estava marcado para esta quinta-feira (24). A oitiva pertence ao inquérito que apura suspeitas de fraude em operações entre o Master e o Banco de Brasília (BRB) e integra a primeira fase da Operação Compliance Zero. Ainda não há nova data.
Segundo o Valor Econômico, a remarcação ocorreu depois que a defesa alegou não ter acesso às cópias atualizadas da investigação e pediu pelo menos dez dias para examinar o material a partir do momento em que esse acesso for efetivado.
O pedido se soma a uma sequência de adiamentos. A oitiva de 24 de setembro já havia sido deslocada de 15 de setembro, também sob o argumento de que os advogados não conseguiam confirmar se dispunham da íntegra dos autos. Relatos da defesa mencionam volume elevado de peças e dificuldade técnica para baixar o conjunto.
Há dois calendários distintos, e a distinção importa. O depoimento de quinta-feira trata das operações Master–BRB, inclusive da cessão de carteiras de crédito que a investigação descreve como irregulares — em valores na casa de R$ 12 bilhões, conforme reportagens sobre os relatórios da PF. Já o depoimento marcado para 30 de setembro, às 14h, por videoconferência, diz respeito ao inquérito sobre o grupo denominado “A Turma”. Nesse procedimento, a PF também intimou o pai do empresário, Henrique Vorcaro.
A defesa encaminhou na segunda-feira (21) ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin — que concentra temporariamente processos do caso Master — o pedido para adiar as duas oitivas, com base na Súmula Vinculante 14, que assegura à defesa o acesso aos elementos de prova já documentados. Até o fechamento desta matéria, o adiamento efetivado pela PF, com registro em veículos de referência desta quarta, é o de 24 de setembro. O destino da sessão de 30 de setembro não estava confirmado nas fontes oficiais e jornalísticas consultadas.
O que a PF atribui a “A Turma”
De acordo com relatórios da Polícia Federal divulgados pela imprensa, “A Turma” seria um núcleo acionado e financiado por Vorcaro para monitoramento de pessoas, obtenção de informações de procedimentos sob sigilo e pressão sobre adversários. A mesma linha de apuração cita um segundo agrupamento, “Os Meninos”, descrito como braço digital — ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento em redes. São alegações da investigação, ainda sem julgamento de mérito.
A Agência Brasil publicou que o grupo teria obtido informações de investigações no Ministério Público Federal, em sistemas de uso restrito da PF e até dados associados à Interpol, segundo relatório de fevereiro enviado ao ministro André Mendonça. O mesmo conjunto de reportagens atribui à PF a tese de pagamentos mensais para manter a estrutura. Nada disso equivale a condenação.
Prisão, relatoria e operação
Vorcaro foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, autorizada em novembro de 2025 pela 10ª Vara Federal de Brasília, quando o Banco Central decretou a liquidação do Master. O TRF-1 chegou a autorizar o uso de tornozeleira e o retorno de investigados às residências. O caso subiu ao STF em dezembro de 2025. O então relator, ministro Dias Toffoli, autorizou a segunda fase em janeiro de 2026. Em 12 de fevereiro, a relatoria passou ao ministro André Mendonça. Vorcaro voltou a ser preso no início de março.
Fontes recentes situam o empresário no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, e o pai na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). As prisões preventivas no inquérito de “A Turma” foram decretadas por Mendonça, sob o fundamento de risco às apurações.
Vorcaro já prestou depoimento por videoconferência em 28 de agosto, por cerca de quatro horas, em apuração sobre ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Master. Naquela oitiva, segundo veículos que tiveram acesso a trechos, o empresário negou obtenção de informação privilegiada e sustentou que os negócios com o BRB teriam gerado resultado à instituição pública. A PF e a PGR, segundo a imprensa, já recusaram versões anteriores de acordo de colaboração premiada. Uma nova proposta segue citada em reportagens como objeto de análise, sem confirmação oficial de aceite.
Não há nova data para o depoimento sobre Master e BRB. A oitiva de 30 de setembro sobre “A Turma”, com Daniel e Henrique Vorcaro, permanece no calendário público até confirmação em contrário. O ÉNotório atualiza se a PF ou o STF redesenhar essas datas.