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Quinta-feira, 8 de outubro de 2026

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OAB propõe mandato para ministros do STF e articula reforma do Judiciário

Beto Simonetti defende a participação da advocacia no debate; entidade também sustenta limites a decisões individuais e medidas contra conflitos de interesse

Por Redação
Publicado em 08/10/2026 às 19:06
Atualizado em 08/10/2026 às 19:56
A OAB Nacional defende mandatos com prazo determinado e sem recondução para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em comunicado publicado na quarta-feira (7), a entidade apresentou a medida como parte de sua agenda de reforma do Judiciário. O texto não informa a duração pretendida para os mandatos.O presidente nacional da Ordem, Beto Simonetti, afirma que a agenda expressa reivindicações históricas da advocacia. “Elas não surgem de circunstâncias pontuais”, declarou. Segundo a OAB, a mudança busca dar mais previsibilidade à composição da Corte e reforçar sua legitimidade democrática.

Apoio interno e construção da proposta

O apoio institucional já havia sido reafirmado em 2 de fevereiro, na primeira sessão do Conselho Pleno em 2026. Na ocasião, os 81 conselheiros federais aprovaram pautas apresentadas por Simonetti, entre elas mandatos para o Supremo, discussão de alternativas para a nomeação dos ministros e limites às decisões monocráticas.

Naquela sessão, Simonetti situou as medidas em uma trajetória de duas décadas de atuação da entidade. O debate também incluiu a prevenção de conflitos de interesse, tema que voltou a aparecer no comunicado de outubro.

Em abril, o Conselho Federal criou uma comissão de mobilização presidida pela secretária-geral Rose Morais. O grupo recebeu a tarefa de articular as medidas, reunir contribuições das seccionais e organizar a participação da advocacia.

A agenda divulgada na criação da comissão incluía regras para a atuação de parentes de magistrados na advocacia. A OAB também informou que propostas já apresentadas por São Paulo e Rio Grande do Sul seriam incorporadas aos estudos, com apoio de sua assessoria jurídica.

Em setembro, outra comissão foi formada para consolidar contribuições e preparar o texto final a ser levado ao Congresso. A aprovação das pautas dentro da OAB não altera as regras de funcionamento do STF.

Como funciona hoje

O Supremo tem 11 ministros. A Constituição prevê nomeação pelo presidente da República após aprovação da escolha pela maioria absoluta do Senado. Os indicados devem ter mais de 35 e menos de 70 anos, além de notável saber jurídico e reputação ilibada.Os integrantes da Corte não exercem mandato com duração fixa. A vitaliciedade é uma garantia constitucional da magistratura, e a aposentadoria compulsória ocorre aos 75 anos, conforme a Lei Complementar 152/2015.

A introdução de mandatos exigiria mudança constitucional. Uma proposta de emenda precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, por três quintos dos integrantes de cada Casa. O comunicado da OAB descreve uma articulação institucional ainda em desenvolvimento, sem anunciar uma mudança aprovada pelo Congresso.