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Domingo, 4 de outubro de 2026

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“O Brasil que não aparece no palanque”

Publicado em 04/10/2026 às 12:35

“Não idolatre nenhum político, aliás, nenhum político deveria ocupar o lugar que pertence à família, aos amigos, aos valores e às convicções pessoais”, aponta o advogado Leandro Vasques

O Brasil real não está nos palanques, nos jingles ou nas fotografias cuidadosamente produzidas durante as campanhas. Está na mulher que sai cedo para trabalhar, no trabalhador que enfrenta diariamente o transporte público, na família que precisa conciliar dois empregos para pagar as contas e naquele que, além das próprias responsabilidades, ainda precisa cuidar de um filho doente ou suprir a ausência de quem deveria estar ao seu lado.

Esse Brasil é muito maior do que a disputa eleitoral.

A cada quatro anos, entretanto, a mesma liturgia se repete: abraços ensaiados, gestos de vitória, promessas elaboradas e uma onerosa estrutura destinada a conquistar o voto.

Muitas vezes, o cidadão é lembrado durante a campanha e esquecido tão logo termina a eleição.E talvez seja necessário compreender que a política não se resume à velha divisão entre direita e esquerda, originária na Revolução Francesa com os girondinos e jacobinos.

Por trás dos discursos ideológicos, existe também uma disputa permanente por dinheiro, influência e poder.

As bandeiras mudam, os discursos se adaptam e os personagens se alternam, mas a busca pelo poder permanece como elemento central da atividade política.

Isso não significa que ideologias, projetos ou diferenças políticas não existam. Significa apenas que o eleitor não deveria permitir que essas diferenças fossem utilizadas para transformá-lo em soldado de uma guerra que não é sua.

Direita e esquerda frequentemente recorrem ao medo como instrumento de convencimento: um lado alerta para o perigo representado pelo outro, enquanto o outro faz exatamente o mesmo. O medo é uma das ferramentas mais primitivas e eficientes para conduzir escolhas.

A democracia, porém, pressupõe justamente o contrário: liberdade de consciência, capacidade de reflexão e responsabilidade individual.

Não idolatre nenhum político, aliás, nenhum político deveria ocupar o lugar que pertence à família, aos amigos, aos valores e às convicções pessoais. Políticos passam.

O cidadão permanece, inclusive para conviver com as consequências das escolhas que fez.

A eleição termina na segunda-feira. A vida, não. O trabalhador continuará labutando. O ônibus continuará passando. Os boletos continuarão chegando. Os problemas cotidianos continuarão existindo.

Por isso, talvez seja prudente olhar a política com menos paixão e mais espírito crítico.

Menos idolatria, menos ódio e mais consciência.

Não é necessário transformar adversários em inimigos, nem candidatos em heróis.

É possível votar de acordo com a própria consciência sem transformar uma escolha eleitoral em uma guerra pessoal.

Não entregue à política aquilo que ela jamais poderá lhe devolver: sua paz, suas amizades e o tempo da sua vida.