Navi Pillay venceu o Nobel da Paz de 2026, mas a notícia não chegou a ela pelo tradicional telefonema do comitê. Anunciada nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana foi avisada por colegas durante uma conferência em Nuremberg, na Alemanha, segundo a Folha de S.Paulo.
Na coletiva do anúncio, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, relatou que ainda não havia conseguido falar com a vencedora. Ele pediu que Pillay atendesse caso visse uma chamada de um número norueguês, conforme registrou a CNN Brasil.
A notícia foi recebida com aplausos na conferência. Surpresa com a homenagem, Pillay reagiu: “Espero que não seja uma piada”, de acordo com a Folha.
Como os vencedores são avisados
Segundo o site oficial do Nobel, os laureados costumam receber a ligação minutos antes de o resultado ser anunciado ao público. A chamada comunica uma decisão já tomada, mas o contato nem sempre é imediato: diferenças de fuso horário, viagens e dificuldades para localizar o vencedor já produziram situações inesperadas.
O aviso não é agendado com o premiado. Em entrevista ao New York Times citada pela Folha, Thomas Perlmann, secretário-geral da Assembleia do Nobel, responsável pelo prêmio de Medicina, explicou que não há comunicação prévia sobre a ligação.
O acervo do Nobel reúne outros casos. Richard Ernst, vencedor de Química em 1991, soube da premiação pelo comandante de um voo entre Moscou e Nova York. Já na busca pelo telefone de Linda Buck, laureada em Medicina em 2004, o comitê recorreu ao diretor de sua divisão de pesquisa. O número dela não constava da lista telefônica.
Reconhecimento à justiça internacional
O comunicado oficial do Nobel reconhece a atuação de Pillay em favor da paz e do direito internacional. O comitê destacou sua contribuição para a responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, além do fortalecimento das instituições que julgam essas violações.
Pillay foi juíza do Tribunal Penal Internacional e do Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Também ocupou o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.