Órgão ministerial se posicionou em habeas corpus da defesa, mas não se manifestou oficialmente por causa do segredo de Justiça. A decisão cabe ao juiz da 5ª Vara do Júri.
O Ministério Público do Estado do Ceará opinou pela concessão de liberdade a João Munhoz Neto, de 34 anos, preso preventivamente desde 22 de setembro no inquérito sobre a morte de Isabelle Caracristi, de 22. O parecer não decide o caso. A palavra final é do juiz titular da 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, e, até a manhã desta quinta-feira, 1º de outubro, não havia registro público de decisão.
O POVO apurou que o MPCE se posicionou pela soltura depois de habeas corpus da defesa. O veículo ressalvou que o órgão não se pronunciou oficialmente, porque o processo tramita em segredo de Justiça. O Diário do Nordeste informou que a existência do parecer foi confirmada com a defesa. A advogada do investigado é Lígia Peixe.
Jurinews, Metrópoles e Imprensa Pública relatam que a manifestação favorável viria acompanhada de cautelas: tornozeleira eletrônica, comparecimento mensal à Central de Alternativas Penais, proibição de deixar a comarca de Fortaleza, endereço atualizado, presença nos atos processuais e recolhimento domiciliar noturno. Esse detalhamento não consta da reportagem do O POVO.
Isabelle foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, no edifício La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, onde morava com o namorado. O laudo da Perícia Forense do Ceará aponta precipitação voluntária, a partir da área de cobertura do 23º andar. O perito-geral da Pefoce, Júlio Torres, sustentou essa conclusão. A Polícia Civil mantém a apuração da conduta do investigado. Até 28 de setembro, haviam sido ouvidas 28 pessoas e concluídos 13 laudos; a Jurinews menciona ainda a análise de mais de 700 vídeos.
A prisão preventiva, cumprida em 22 de setembro e mantida na audiência de custódia do dia 23, tem como base suspeita de induzimento ou instigação ao suicídio e de violência psicológica contra a mulher, artigos 122 e 147-B do Código Penal. A defesa nega as acusações e afirma que João não estava no condomínio no momento da morte.
João é bacharel em Direito. Segundo o G1, não possui inscrição na OAB e, no escritório em que Isabelle estagiou, exercia atividade administrativa, sem integrar o quadro societário. Por isso, a ÉNotório não o trata como advogado.
A investigação segue. Se a Justiça acolher o parecer, a liberdade virá com restrições. Se rejeitar, a preventiva permanece. Nenhuma das hipóteses equivale a conclusão sobre autoria.