O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o governo a utilizar o instrumento de cooperação jurídica internacional para localizar bens e valores no exterior ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a outros investigados por irregularidades no Banco Master. A decisão, assinada em maio, foi divulgada nesta terça-feira (28 de julho de 2026).
A medida não autoriza automaticamente a Polícia Federal a rastrear ativos fora do país. O Ministério da Justiça e Segurança Pública precisa firmar acordos específicos de cooperação com autoridades estrangeiras, por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI).
O que foi autorizado
Segundo informações confirmadas por veículos como Estadão e CBN, a autorização cobre bens e valores de Vorcaro e de outros envolvidos no esquema. Um dos pedidos, já autorizado em maio, busca junto a autoridades da Alemanha informações sobre a compra de um iate avaliado em cerca de R$ 500 milhões encomendado por Vorcaro, além de outros ativos que possam ser identificados.
Uma segunda solicitação trata de uma aeronave que estaria nos Estados Unidos. A Procuradoria-Geral da República ainda analisa o pedido, mas a expectativa é de autorização pelo ministro.
O objetivo da Polícia Federal é verificar se esses bens de luxo foram utilizados em operações de lavagem de dinheiro, evasão de divisas ou ocultação de patrimônio.
Contexto da investigação
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, está preso preventivamente desde março de 2026. A instituição foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central no final de 2025. A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal sob relatoria de André Mendonça no STF, apura suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes relacionados ao sistema financeiro nacional.
Investigações anteriores já apontaram movimentações suspeitas de patrimônio, incluindo transferências de valores elevados para estruturas no exterior. A PF acionou a Interpol em julho para rastrear ativos na América do Norte e na Europa.
Fontes
Informações baseadas em reportagens do Estadão (28/07/2026), CBN (28/07/2026) e Band (28/07/2026), que confirmaram a decisão judicial e os pedidos de cooperação internacional.





