Encontro realizado neste domingo (18) foi marcado por confrontos sobre o fim da escala 6×1, saúde pública, combate ao crime organizado e transparência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram neste domingo (18) do primeiro debate das eleições presidenciais de 2026, realizado pela TV Bandeirantes.
O encontro reuniu propostas para o país e confrontos diretos entre os candidatos. As discussões exigiram intervenções dos mediadores em determinados momentos.
Segurança pública divide os candidatos
Um dos principais temas foi o enfrentamento da criminalidade.
Flávio Bolsonaro defendeu a classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas e anunciou a proposta de criar 500 mil vagas no sistema penitenciário, caso seja eleito.
Lula, por sua vez, reafirmou a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública, com a finalidade de ampliar a coordenação entre União, estados e municípios.
Os candidatos também divergiram sobre as saídas temporárias de presos e as estratégias para combater o crime organizado.
Fim da escala 6×1 provoca novo confronto
A redução da jornada de trabalho foi outro destaque.
Flávio Bolsonaro afirmou ter mudado de posicionamento sobre o fim da escala 6×1 após ouvir trabalhadores. O candidato declarou que passou a apoiar a medida, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional.
Lula questionou a relação do adversário com a realidade dos trabalhadores brasileiros e defendeu as mudanças na organização da jornada.
SUS e pandemia entram na discussão
Na área da saúde, Flávio Bolsonaro apresentou a proposta de adotar um modelo de gestão inspirado no Hospital Albert Einstein para melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde.
Lula criticou a proposta e questionou a visão do adversário sobre os serviços públicos. O presidente também retomou críticas à condução da pandemia de covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro.
Transparência e acusações
O debate ganhou intensidade quando Lula propôs que ambos os candidatos abrissem seus sigilos bancário e telefônico, incluindo informações de familiares, para permitir a investigação de possíveis irregularidades.
Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não assumiu expressamente o compromisso nos termos apresentados.
Os dois também trocaram questionamentos envolvendo familiares, investigações e suspeitas de irregularidades. As acusações feitas durante o debate não devem ser interpretadas, por si só, como comprovação de crimes.
Relações internacionais e soberania
No campo internacional, Lula questionou a posição do adversário em relação aos Estados Unidos e destacou a importância da soberania brasileira sobre minerais estratégicos.
Flávio defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter atuado para prejudicar empresas brasileiras por meio de tarifas comerciais.
Suspeita de bomba mobiliza policiais após o debate
Após o encerramento, uma suspeita de explosivo em um veículo no estacionamento da Band levou ao acionamento de uma equipe especializada da Polícia Militar de São Paulo.
A área foi inspecionada, mas nenhum artefato foi encontrado. O local foi posteriormente liberado.
Contexto eleitoral
O primeiro encontro direto entre os candidatos na televisão colocou em evidência diferentes propostas de governo e estratégias de campanha.
O debate apresentou ao eleitorado posições sobre políticas sociais, segurança pública, direitos trabalhistas e relações internacionais, temas centrais para a escolha do próximo presidente da República.