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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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Fux deve decidir após segundo turno sobre validade da MP que proíbe bets no Brasil

Por Redação
Publicado em 19/10/2026 às 07:49

Ministro do STF analisa ações contra medida do governo Lula que suspendeu as apostas on-line; julgamento envolve questões constitucionais, saúde pública, segurança jurídica e impactos econômicos.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderá deixar para depois do segundo turno das eleições presidenciais a decisão sobre a validade da medida provisória que proibiu o funcionamento das plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets, no Brasil.

A possibilidade foi divulgada pelo UOL em 7 de outubro. Segundo a reportagem, Fux avalia aguardar o encerramento da disputa eleitoral para evitar que uma decisão judicial sobre o tema seja interpretada como interferência política em favor de algum dos candidatos à Presidência da República.

Medida provisória mudou as regras do setor

Editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória nº 1.394/2026 proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em território nacional.

A restrição alcança apostas esportivas e jogos on-line, além das autorizações concedidas nas esferas federal, estadual e distrital.

O texto também estabelece medidas de fiscalização e modifica a legislação que anteriormente regulamentava o mercado brasileiro de apostas.

A proibição entrou em vigor com a publicação da MP, mas sua permanência depende da análise do Congresso Nacional e poderá ser afetada pelas decisões do STF.

Entidades questionam constitucionalidade

A medida provocou reação de representantes do setor de apostas, que recorreram ao Supremo para contestar a legalidade da proibição.

Entre as ações está a ADI 8024, apresentada pela Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja).

A entidade questiona, entre outros aspectos, a existência dos requisitos constitucionais de relevância e urgência necessários à edição de uma medida provisória.

Também estão em discussão a segurança jurídica, os efeitos sobre autorizações anteriormente concedidas e os impactos econômicos decorrentes da interrupção das atividades.

Governo defende proibição para proteger a população

A Advocacia-Geral da União (AGU) manifestou-se pela manutenção da eficácia da medida provisória.

Em manifestação encaminhada ao STF, o órgão pediu que não fosse concedida a suspensão solicitada por representantes do setor.

O governo fundamenta a proibição na necessidade de enfrentar problemas associados ao endividamento, ao comportamento compulsivo relacionado às apostas e aos riscos à saúde pública.

A AGU também solicitou providências para ampliar a instrução do processo, incluindo a manifestação da Procuradoria-Geral da República.

Futebol e economia também podem ser afetados

A controvérsia ultrapassa o setor das plataformas digitais.

Clubes de futebol brasileiros manifestaram preocupação com a interrupção dos contratos de patrocínio firmados com empresas de apostas.

Equipes como São Paulo, Vitória, Ponte Preta, Portuguesa e Guarani buscaram participar da discussão judicial, defendendo alternativas capazes de preservar receitas e permitir uma transição regulatória.

O resultado do julgamento poderá repercutir sobre contratos comerciais, investimentos publicitários e relações econômicas estabelecidas durante o período de regulamentação das bets.

O que o STF deverá analisar

O debate constitucional envolve diferentes questões: os limites da atuação do Poder Executivo por medida provisória, a proteção da saúde pública, a liberdade econômica e a segurança jurídica das empresas que receberam autorização para atuar no mercado.

Fux já conduz processos relacionados à regulamentação das apostas e recebeu pedidos de suspensão dos efeitos da nova medida.

Uma eventual decisão liminar poderá manter a proibição ou suspender seus efeitos, total ou parcialmente, enquanto o Supremo examina o mérito das ações.

A análise judicial não substitui a apreciação legislativa da medida provisória pelo Congresso Nacional.

Decisão ainda é aguardada

Até as informações verificadas para esta reportagem, não foi identificada decisão definitiva do ministro Luiz Fux sobre a constitucionalidade da MP nº 1.394/2026.

A possibilidade de pronunciamento após o segundo turno permanece uma expectativa divulgada pela imprensa, sem confirmação de data oficial de julgamento.

O desfecho poderá definir os próximos passos do mercado brasileiro de apostas e estabelecer parâmetros importantes para a atuação do Estado na regulação de atividades econômicas consideradas sensíveis.