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Sábado, 10 de outubro de 2026

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‘É a maior crise do STF’: Gonet deveria se afastar e Moraes precisa ser investigado, afirma ex-PGR

Por Redação
Publicado em 03/09/2026 às 19:40

Citado em diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro, dentro das investigações que apuram fraudes bilionárias no Banco Master, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, deveria se afastar do comando do caso. Essa é a avaliação do ex-PGR Claudio Lemos Fonteles, que chefiou o Ministério Público entre 2003 e 2005, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo relatório da Polícia Federal que analisou o celular do banqueiro, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, aparece como intermediador de contatos entre Vorcaro e Gonet.

Ele teria atuado em março de 2025 para que o banqueiro incluísse Pedro Gonet, filho do PGR, em uma viagem para Londres bancada pelo Master, para participação de um evento.

Homem idoso de terno cinza e gravata azul fala gesticulando com a mão direita levantada, segurando papel na mão esquerda, diante de microfone em ambiente escuro.
O ex-PGR Claudio Fonteles – Agência Brasil
Dias antes, naquele mesmo mês, Soares mandou uma foto ao lado de Paulo Gonet para Vorcaro, informando que estava com o PGR. Na sequência, ambos trocam ligações. Gonet ainda não se manifestou sobre as revelações.

Para Claudio Fonteles, a possível viagem para o filho é o “mais delicado”, mas não configura, necessariamente, um “ilícito criminal”. Ainda assim, diz, a saída de Gonet do comando das investigações seria “uma garantia para ele mesmo”.

“O procurador-geral da República tem que explicar isso”, disse à BBC News Brasil, ao comentar os contatos com Vorcaro intermediados pelo advogado.

“O correto seria ele [Gonet] passar as investigações para o seu vice-procurador-geral da República [Hindenburgo Chateaubriand Filho]”, continuou Fonteles.

Os diálogos que citam Gonet aparecem em um relatório da PF cujo sigilo foi retirado na terça-feira (1°) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator de inquéritos que apuram as fraudes bilionárias no Banco Master.

Além das conversas envolvendo Gonet, o relatório analisou outras mensagens extraídas do celular do banqueiro, revelando uma série de interações atribuídas pelos investigadores a Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes e pessoas ligadas à família do ministro.

As conversas incluem um suposto pedido do banqueiro, em 30 de outubro de 2025, para que Moraes interferisse a seu favor na atuação de Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Segundo a PF, em outra mensagem ao ministro, enviada no dia 15 de novembro, Vorcaro perguntou se deveria deixar o Brasil —ele foi preso dois dias depois, quando tentava sair do país para Dubai. No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central.

COM INFORMAÇÕES DA BBC News Brasil/ FOLHA