Profissionais ligados ao mercado financeiro divulgaram, na quinta-feira (8), a Carta ao Brasil pela Liberdade e pela Prosperidade, em defesa da democracia constitucional e da livre iniciativa. A mobilização foi noticiada pela coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo. O documento não declara apoio a Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Eduardo Cavendish, Tiago Reis e Bruno Musa aparecem como organizadores na página da iniciativa. Segundo a Folha, Reis é fundador da Suno e da Suno Asset, e Musa atua como consultor e influenciador financeiro. Cavendish afirmou ao jornal que a carta é apartidária. 1
A ligação de Cavendish com a campanha de Flávio também consta de reportagem do Poder360, publicada em 24 de agosto. O veículo o identifica entre os sete nomes anunciados no dia 21 daquele mês para a equipe econômica do candidato, responsável pela elaboração e apresentação de propostas.
Princípios e propostas
Na consulta realizada em 10 de outubro, às 15h46 de Brasília, o site da carta exibia 1.784 assinaturas. Trata-se do contador apresentado pelos organizadores, aberto a adesões de diferentes áreas profissionais.
O manifesto pede eleições livres, cumprimento dos resultados e respeito à separação dos Poderes. Também defende liberdade de expressão, imprensa e crença, proteção da privacidade e limites à atuação das autoridades. Afirma que os princípios apresentados devem valer para qualquer governo.
Na economia, propõe simplificar a abertura de empresas, reduzir entraves à concorrência, revisar despesas ineficientes e privilégios e tornar a tributação mais previsível. O texto inclui regularização de moradias, facilidades para pequenos empreendedores e ampliação do acesso à poupança e ao investimento.
O documento cobra ainda dos próprios signatários a disposição de defender direitos e concorrência quando isso contrariar seus interesses. A adesão registra concordância com esses compromissos; por si só, não permite atribuir a cada participante uma escolha de voto.
O contexto institucional
Democracia, atividade econômica e direitos individuais já se encontram associados na Constituição de 1988. O artigo 1º define o Brasil como Estado Democrático de Direito e inclui entre seus fundamentos os valores sociais do trabalho, a livre iniciativa e o pluralismo político. O artigo 2º estabelece a independência e a harmonia entre Legislativo, Executivo e Judiciário. Já o artigo 5º protege, entre outros direitos, a igualdade perante a lei, a manifestação do pensamento e a propriedade.
Esse marco constitucional permite situar o debate: a defesa das instituições é um compromisso público que pode ser cobrado de qualquer autoridade. Propostas concretas para impostos, gastos ou regulação, por sua vez, continuam sujeitas à disputa política e aos procedimentos previstos na Constituição.
A carta circula entre as duas etapas da eleição de 2026. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral fixou o primeiro turno em 4 de outubro e o segundo em 25 de outubro, com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.