Petições protocoladas na sexta-feira (30) ao presidente Edson Fachin e ao próprio Moraes contestam relatoria e restrições de viagem impostas ao senador.
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou três petições ao Supremo Tribunal Federal na noite da sexta-feira (30 de outubro de 2026). Os pedidos buscam retirar o ministro Alexandre de Moraes da condução da investigação sobre a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz, transferir o caso ao ministro André Mendonça e revisar as medidas cautelares que determinaram o recolhimento do passaporte e a proibição de deixar o território nacional.
Duas das petições foram encaminhadas ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Em uma delas, formulada como questão de ordem, os advogados pedem a redistribuição da investigação para Mendonça. A defesa sustenta que o ministro já é o juiz natural do feito por supervisar, desde agosto de 2025, a Operação Sem Desconto e, desde 17 de julho de 2026, a Petição nº 16.435/DF. Esses procedimentos apuram estrutura atribuída a Willer Tomaz, descrita pela Polícia Federal como possível “hub financeiro, patrimonial e logístico” de lavagem de capitais.
Na segunda petição dirigida a Fachin, a defesa solicita o reconhecimento do impedimento e da suspeição de Alexandre de Moraes. O argumento envolve empresa investigada que possui, entre seus ativos, aeronave cujas cotas teriam sido destinadas ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, no âmbito de contrato com o Banco Master. Segundo os advogados, essa circunstância justificaria o afastamento de Moraes da relatoria.
O terceiro pedido foi protocolado diretamente no gabinete de Moraes. Nele, a defesa requer a reconsideração das medidas cautelares que determinaram a apreensão do passaporte do senador e impediram que ele deixasse o Brasil. Os representantes contestam os elementos usados para fundamentar as restrições, entre eles o fato de Flávio figurar como contato favorito de Willer Tomaz em aplicativo de mensagens e o pagamento de passagens pelo advogado. Sustentam que as situações decorrem de relação de amizade. Negam a existência de conta bancária conjunta e afirmam que o Banco Santander teria rejeitado essa informação. Também contestam qualquer participação do senador em atividades ligadas à Rede Loto, RioPag ou Loterj, segundo a representação da PF.
Apesar de contestar as medidas e a atuação do relator, a defesa declarou disposição de colaborar integralmente com as investigações, afirmando que o senador comparecerá aos atos para os quais for convocado e prestará os esclarecimentos solicitados.