Novo intervalo portador de petróleo foi identificado no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas; descoberta anterior, anunciada em agosto, já teve confirmada a boa qualidade do óleo
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira, 2 de outubro, uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na costa do Amapá. O novo intervalo portador foi identificado no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, área integrante da Margem Equatorial brasileira.
É a segunda descoberta anunciada pela companhia no mesmo poço em menos de dois meses. Em agosto, a Petrobras já havia comunicado a presença de petróleo no Morpho. A perfuração prosseguiu com o objetivo de investigar intervalos exploratórios mais profundos e resultou na identificação de uma nova ocorrência.
Segundo a Petrobras, a descoberta foi constatada a partir de perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos obtidos durante a operação. O poço está localizado em lâmina d’água de 2.886 metros, o que caracteriza uma operação em águas ultraprofundas.
A companhia informou ainda um dado relevante sobre a descoberta anterior: as análises realizadas no petróleo encontrado em agosto confirmaram a boa qualidade do óleo. No caso do novo intervalo anunciado nesta sexta-feira, as amostras e demais informações coletadas ainda passarão por análises laboratoriais e serão integradas aos demais dados obtidos durante a perfuração.
Descoberta amplia conhecimento sobre potencial da região
A nova ocorrência não significa, neste momento, que exista produção comercial definida no bloco. A fase atual continua sendo exploratória e ainda será necessário avaliar as características das formações encontradas, o volume potencial dos recursos e, posteriormente, aspectos técnicos e econômicos relacionados a uma eventual produção.
O que o anúncio confirma é o avanço do conhecimento geológico sobre uma das áreas mais observadas da Margem Equatorial brasileira.
De acordo com a Petrobras, a nova descoberta fornecerá informações adicionais para a avaliação dos sistemas petrolíferos e do potencial de recursos da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas.
A empresa informou que concluirá a perfuração do poço Morpho e continuará avaliando as formações identificadas. A estratégia da companhia para o bloco FZA-M-59 está inserida no planejamento de longo prazo de recomposição das reservas brasileiras de petróleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras.
Amapá no centro de uma discussão estratégica
Para o Amapá, o novo anúncio amplia uma discussão que ultrapassa a dimensão estritamente petrolífera.
Caso os estudos futuros confirmem a viabilidade de desenvolvimento dessa fronteira, questões relacionadas à infraestrutura, qualificação profissional, logística, cadeia de fornecedores, proteção ambiental, capacidade portuária, segurança operacional, arrecadação e desenvolvimento regional deverão ganhar importância crescente.
A descoberta ocorre justamente em uma área que tem concentrado parte relevante do debate nacional sobre a expansão da exploração de petróleo na Margem Equatorial, envolvendo desenvolvimento econômico, segurança energética e proteção ambiental.
Por isso, a notícia deve ser interpretada com a precisão que o estágio exploratório exige. Encontrar petróleo não equivale, automaticamente, à existência de uma reserva comercialmente recuperável, nem significa início imediato de produção.
Ao mesmo tempo, duas ocorrências de petróleo identificadas no mesmo poço, em diferentes intervalos exploratórios, aumentam o conjunto de informações disponíveis sobre o sistema petrolífero da região.
A partir de agora, o resultado das análises e a continuidade da avaliação do poço serão determinantes para compreender a real dimensão da descoberta.
Para o Amapá, entretanto, o debate sobre preparação pode começar antes.
Se a Bacia da Foz do Amazonas avançar de uma fronteira exploratória para uma futura fronteira produtora, o Estado precisará estar preparado para discutir não apenas quanto petróleo existe no mar, mas de que maneira uma eventual atividade econômica poderá se traduzir em desenvolvimento, emprego, conhecimento, infraestrutura e oportunidades permanentes para a população amapaense.