Decisão da 5ª Vara do Júri impõe distanciamento da família da vítima, tornozeleira e proibição de deixar a comarca. A apuração de violência psicológica e de induzimento ao suicídio continua.
O Juízo da 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza revogou a prisão preventiva de João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, e substituiu a custódia por medidas cautelares. Segundo nota da vara, a decisão acolheu manifestação do Ministério Público e estabeleceu, entre outras condições, o distanciamento dos familiares da vítima, o monitoramento eletrônico e a proibição de se ausentar da comarca.
Isabelle, de 22 anos, foi encontrada morta na noite de 13 de setembro no pátio do condomínio em que morava com o namorado, na Aldeota. A Polícia Civil aponta suicídio. A Perícia Forense do Ceará concluiu que a queda foi precipitação voluntária. Munhoz, de 34 anos e bacharel em Direito, foi preso em 22 de setembro. No dia seguinte, o Núcleo de Custódia e das Garantias manteve a preventiva. Ele é suspeito dos crimes de violência psicológica contra a mulher e de induzimento ao suicídio, tipificados nos artigos 147-B e 122 do Código Penal, conforme o mandado relatado pelo O POVO.
Na quarta-feira (30), o Ministério Público do Ceará deu parecer favorável ao pedido de soltura feito pela defesa, a advogada Lígia Peixe. Não foi o MP quem pediu a soltura. A TV Verdes Mares apurou que o parecer sugeria comparecimento mensal à Central de Alternativas Penais, proibição de deixar Fortaleza, atualização de endereço, presença nos atos processuais, recolhimento noturno e tornozeleira. A nota da 5ª Vara confirmou distanciamento, monitoramento eletrônico e proibição de deixar a comarca. O teor integral da decisão não foi publicado: o caso tramita em segredo de Justiça.
A investigação permanece com o Grupo Especial de Investigação, reunindo a 2ª Delegacia da Capital, a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher e o DHPP. Até 28 de setembro, a Polícia Civil havia ouvido 28 pessoas e a perícia concluíra 13 análises, com celulares, dispositivos e mais de 700 vídeos ainda sob exame. O delegado-geral Márcio Gutiérrez afirmou que Munhoz não colaborou de imediato e impediu a entrada de familiares de Isabelle no prédio. A defesa sustenta que a prisão não era necessária.
A revogação não encerra o inquérito nem equivale a absolvição. O investigado responde em liberdade vigiada. A ÉNotório não obteve manifestação nova da defesa ou da família de Isabelle sobre a decisão desta quinta-feira (1º).