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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

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Luchsinger recebeu R$ 5,9 milhões após mediar verbas federais para o Maranhão

Coluna do Metrópoles descreve pagamentos à RL Consultoria e ao pai da lobista entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, acertados com Pablo Pereira Munhoz, que se apresenta como assessor do governador Carlos Brandão.

Por Redação
Publicado em 27/09/2026 às 00:17

A lobista Roberta Luchsinger recebeu pelo menos R$ 5,9 milhões entre 25 de outubro de 2024 e 10 de janeiro de 2025, período em que, segundo a coluna de Andreza Matais no Metrópoles, intermediava a liberação de verbas federais para o Estado do Maranhão. O título da reportagem resume o valor a “R$ 6 milhões” e coloca a palavra “comissão” entre aspas. O texto afirma que o recorte cobre só dois meses e meio e que o total pode ser maior.

A reportagem liga os pagamentos à atuação da empresária junto ao Ministério da Saúde e à Casa Civil, em favor do governador Carlos Brandão (MDB). Uma das frentes citadas é o prolongamento da Avenida Litorânea, em São Luís, obra do Novo PAC com investimento da ordem de R$ 235 milhões. Em mensagem de 5 de junho de 2024, Luchsinger escreveu a Brandão: “Bom dia, governador! Marcola acaba de avisar que foi liberada a obra para a Av. Litorânea.” O governador teria respondido: “Opa! Notícia boa.” “Marcola” é Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois afastado quando veio a público que a lobista pagava contas pessoais dele.

A coluna atribui a Luchsinger a apresentação como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Luchsinger e Fábio Luís são alvos de inquéritos da Polícia Federal sob a guarda do Supremo Tribunal Federal por suspeita de tráfico de influência. Não há, neste pacote, sentença condenatória. A empresária já admitiu atuar como lobista e negou irregularidades, segundo perfil publicado pelo G1. Brandão, em manifestação anterior sobre o episódio da agenda no Planalto, negou ter relação com Luchsinger e disse que sua agenda não depende de terceiros. A coluna de 26 de setembro não registra resposta nova do governador nem da lobista ao recorte dos R$ 5,9 milhões.

Como os pagamentos teriam sido feitos

Segundo o Metrópoles, os valores entraram na pessoa jurídica de Luchsinger, a RL Consultoria, e na conta de pessoa física do pai dela, Roberto Pedro Paulo Luchsinger. Os pagadores identificados na reportagem são uma pessoa física e duas empresas. Uma delas é a EDP Infraestrutura e Pavimentação Ltda., do empresário Eduardo José Barros Costa, o “Eduardo DP”.

A coluna descreve o seguinte fluxo, acertado com Pablo Pereira Munhoz, que se apresenta como assessor de Brandão e aparece em agendas oficiais com o governador:

  • em 30 de outubro de 2024, a EDP fez cinco pagamentos à RL Consultoria que somam R$ 2,2 milhões;
  • no mesmo dia, um recibo de depósito em espécie de R$ 650 mil;
  • no dia seguinte, três comprovantes ao pai de Roberta (dois de R$ 200 mil e um de R$ 150 mil);
  • outros pagamentos da EDP à RL Consultoria acima de R$ 400 mil, sem detalhamento integral na matéria.

Em áudio reproduzido pela coluna, Luchsinger avisa Munhoz que o dinheiro “não caiu”. Ele responde: “Nossa, mas foi em espécie.” A reportagem diz que ela então localiza o crédito na conta do pai e agradece.

A mesma coluna informa que a EDP recebeu pouco mais de R$ 90 milhões do governo do Maranhão entre 2023 e 2025 e que outra empresa atribuída a Eduardo DP, a Construservice, recebeu mais de R$ 1 bilhão do Estado entre 2020 e 2025. Em 2025, segundo a reportagem, um relatório da PF descreveu Eduardo DP como parceiro do deputado Juscelino Filho (PSDB-MA), ex-ministro das Comunicações, em desvio de verbas federais. Isso é contexto de outra apuração; não prova, por si, o caráter dos pagamentos à RL Consultoria.

Saúde: ofícios, R$ 115,3 milhões e presentes

No Ministério da Saúde, a coluna afirma que as verbas “destravadas” no período somam centenas de milhões de reais. Em 7 de novembro de 2024, Munhoz teria enviado a Luchsinger documentos sobre um repasse de R$ 115,3 milhões para procedimentos de média e alta complexidade (MAC) no Maranhão, com a mensagem: “Boa tarde, minha amiga. Segue a prioridade na Saúde.” A lobista encaminhou o material a Marcola. A reportagem diz que ela costumava mandar ofícios do governo estadual ao então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa.

No mesmo arco temporal, segundo o Metrópoles, Luchsinger presenteou Swedenberger com um relógio Cartier de R$ 66 mil e um quadro de R$ 82,9 mil. Em nota já publicada pela coluna, Swedenberger afirmou que nunca se valeu dos cargos para obter presentes ou vantagens e que as transferências da Saúde seguiram critérios técnicos e legais, com o mesmo trâmite para todos os entes. Marcola, em nota também reproduzida, disse que nunca intermediou negociações nem atuou em favor de interesse privado enquanto foi chefe de gabinete e que sua função era organizar agendas e encaminhar demandas.

Avenida Litorânea e o que o TCU decidiu depois

A coluna de 26 de setembro escreve que, “em fevereiro deste ano”, auditoria do Tribunal de Contas da União detectou indícios de superfaturamento na primeira fase da Litorânea. A formulação precisa de complemento. Em fevereiro de 2026, a área técnica do TCU de fato apontou irregularidades na obra de cerca de R$ 235 milhões, inclusive um possível sobrepreço na casa de R$ 1,8 milhão sobre o trecho então auditado. Em março, o plenário afastou a tese de superfaturamento e manteve a apuração de outras falhas — entre elas indícios de fraude à licitação, restrição à competitividade e problemas de medição e projeto. A Corte não determinou a paralisação da obra.

A intermediação descrita pelo Metrópoles e o processo do TCU são frentes distintas. Uma não prova a outra.

O que ainda não está fechado

Não há, nas fontes consultadas para este texto, denúncia recebida ou sentença sobre os R$ 5,9 milhões do recorte outubro/2024–janeiro/2025. Não foi localizada, nesta checagem, manifestação específica de Luchsinger, de Brandão ou da EDP sobre essa coluna. O governo do Maranhão, em episódio anterior envolvendo outros pagamentos a Luchsinger, afirmou não ter ingerência sobre empresas privadas.

A apuração segue no campo jornalístico e no das investigações da PF no STF. Qualquer atualização de resposta oficial, número de inquérito ou decisão judicial deve ser incorporada à matéria no portal.