A Companhia Docas do Pará, empresa pública federal que administra portos organizados no Estado, pagou R$ 378,6 mil por um coffee break contratado para recepcionar uma comissão de 20 pessoas durante auditoria no Terminal Petroquímico de Miramar, em Belém, em maio de 2025. O valor equivale a R$ 19,8 mil por pessoa. O teto previsto para o serviço era R$ 2,2 mil.
O pagamento foi feito na véspera do evento à SS Eventos, também alvo da Operação Sonar, deflagrada em 15 de setembro de 2026 pela Polícia Federal com apoio da CGU. Documentos obtidos pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, mostram que a PF classificou o desembolso como antecipado, vultoso e “manifestamente incompatível com o mercado”.
Há duas inconsistências no atesto. A PF afirma que o espaço declarado nas notas — o edifício-sede da companhia — não coincide com o Terminal de Miramar, onde o serviço teria ocorrido. A CGU registra indício de que o buffet não foi prestado.
A SS Eventos tinha contrato de 60 meses com a CDP, no valor global de R$ 2,1 milhões. Auditoria interna apontou R$ 1 milhão pagos em quatro meses — 47,28% do total quinquenal — “sem relatórios capazes de demonstrar a efetiva realização dos serviços e com notas fiscais contendo descrições genéricas”, segundo a 4ª Vara Federal Criminal do Pará. A mesma vara suspendeu o contrato e a ata de registro de preços e proibiu a empresa de contratar com o Poder Público.
A Operação Sonar apura desvio de recursos, cobrança de propina de fornecedores, direcionamento de contratos e lavagem na cúpula da CDP. A PF aponta o ex-presidente Jardel Rodrigues da Silva como “líder” e “principal beneficiário”. No dia da ação, o cunhado Jonas Eros de Almeida da Silva, descrito como laranja, foi preso com R$ 1,2 milhão em malas. A Justiça bloqueou até R$ 17 milhões em bens e quebrou sigilos de 35 investigados. São medidas cautelares, não julgamento de mérito.