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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

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Residente de 26 anos formado pela UFT é afastado do HC de Ribeirão após expor prontuário

Por Redação
Publicado em 26/09/2026 às 04:21

Guilherme Lourenço Monteiro ingressou em março na residência de anestesiologia. A sindicância no Cremesp corre em sigilo e ainda não há decisão ética.

O médico residente Guilherme Lourenço Monteiro, de 26 anos, foi afastado temporariamente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP depois de publicar nas redes uma imagem de prontuário de um paciente. O caso é alvo de apuração interna no hospital e de sindicância no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que tramita em sigilo. Não há, até esta publicação, decisão ética nem condenação judicial.

Segundo perfil do g1 Ribeirão Preto e Franca atualizado neste sábado (26), Monteiro é formado em Medicina há cerca de um ano pela Universidade Federal do Tocantins, campus de Palmas, onde ingressou em 2019. Antes da graduação, concluiu o ensino médio em um colégio estadual da Polícia Militar, em Porangatu (GO). Na reta final do curso, em 2025, prestou a seleção da residência do HC de Ribeirão. Concorrendo a anestesiologia — programa de três anos e 12 vagas —, ficou em 7º lugar entre 231 inscritos, com 7,2 na prova teórica, 8,5 na prática e média final de 7,85, de acordo com o g1. As atividades no hospital começaram em março de 2026. O veículo também registra que ele é inscrito no Cremesp. O número do registro não foi divulgado.

O g1 relata ainda que, na graduação, Monteiro foi monitor, participou de iniciação científica e integrou a Liga Universitária de Oncologia da UFT, com trabalhos sobre percepção da doação de corpos e órgãos, morfofisiologia aplicada à Covid-19 e mortalidade por câncer de próstata. Esses dados são biográficos, publicados pelo veículo, e não integram a acusação ética.

A postagem é de 21 de setembro, no X. A reprodução mostra o perfil de nome de exibição Ketodex, @glmonteiroo, e a legenda: “isso aqui é uma amostra pra vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clínicas”. A imagem é uma tela do sistema assistencial com os campos de peso, altura e IMC. O nome do paciente não foi exibido. O conteúdo passou de 100 mil visualizações — outros veículos chegaram a citar cerca de 130 mil — e foi apagado depois que usuários alertaram para a exposição de dados sensíveis. O residente desativou o perfil no Instagram. O HC informou que a conta gerenciada por ele foi cancelada.

O hospital classificou a atitude como preconceituosa e disse que a publicação, embora sem identificação do paciente, é inadequada e não condiz com a postura da instituição. A chefia do programa de anestesiologia e a Comissão de Residência Médica (Coreme) afastaram o residente e abriram apuração ética interna, em conjunto com a Procuradoria Jurídica.

O Cremesp instaurou sindicância. Sindicância apura indícios. Não é processo ético já julgado e não significa cassação do registro. O Código de Ética Médica veda ao médico revelar fato conhecido em razão do atendimento. Dados de saúde são pessoais sensíveis na Lei Geral de Proteção de Dados. O g1 ouviu especialistas em bioética e direito médico para quem a revelação desses detalhes, mesmo sem o nome, pode configurar infração ética grave. A ÉNotório não antecipa o resultado da sindicância.

O advogado Thaffer Nasser, que defende Monteiro, disse ter tomado conhecimento do afastamento temporário e que vai analisar as circunstâncias e os fundamentos da medida. A defesa afirmou que o caso é tratado internamente, com cautela, e que o profissional tem prestado esclarecimentos e colaborado com as apurações.