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Segunda-feira, 21 de setembro de 2026

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MS identifica 97 avatares de IA que se passam por médicos e aciona Google

Por Redação
Publicado em 21/09/2026 às 13:33

Levantamento de janeiro a julho de 2026 aponta linguagem alarmista, credenciais fictícias e oferta de produtos; população idosa é o principal alvo citado pelo ministério.

A Advocacia-Geral da União notificou o YouTube para remover ou sinalizar vídeos que usam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde e disseminar informações sem comprovação científica. A medida parte de análise do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, sobre 97 perfis ativos entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. Os dados também foram enviados à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina. 

Segundo o ministério, os conteúdos recorrem a avatares de aparência humana, qualificações profissionais fictícias e tom alarmista para parecerem confiáveis. Parte dos canais mira especialmente idosos e usa a aparente autoridade dos personagens para promover produtos, e-books ou serviços pagos. Os riscos apontados pela pasta incluem automedicação, terapias sem eficácia comprovada, atraso na busca por atendimento e interrupção ou substituição de tratamentos. 

A notificação, elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, foi enviada em 4 de setembro de 2026. O YouTube teve prazo de 72 horas para tornar indisponíveis os conteúdos identificados ou, conforme o caso, rotular e contextualizar o caráter artificial dos personagens. A plataforma também deveria avaliar os demais canais apontados no relatório à luz de suas regras sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético. A assessoria do Google, controladora do YouTube, informou à Agência Brasil que não comentaria o caso. 

A atuação integra força-tarefa interministerial com a AGU e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Em entrevista ao Metrópoles, o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, afirmou que os perfis somam milhões de visualizações e representam “grave risco à saúde pública”, sobretudo para idosos. A nota oficial do MS, publicada em 8 de setembro, descreve os riscos sem usar essa expressão no título. 

A BBC News Brasil havia revelado, dois meses antes, uma indústria de canais com personagens fictícios e, em alguns casos, clonagem de imagem de médicos reais. O governo cita ainda precedente no Telegram: após notificação da AGU sobre 18 grupos e canais que comercializavam comprovantes e passaportes vacinais falsos, a plataforma removeu os espaços e uma conta identificada. Esse capítulo é distinto do mapeamento dos avatares médicos no YouTube. 

O ministério recomenda buscar informação em fontes oficiais, desconfiar de cura milagrosa e denunciar conteúdo que coloque terceiros em risco. Conferir CRM nos canais do CFM e dos conselhos regionais continua sendo o caminho para verificar se um profissional existe de fato.