Mensagens obtidas pela Polícia Federal e reproduzidas em decisão do ministro Flávio Dino mostram que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) relatou interlocução com o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e integrante do STF, para tratar de processo em tramitação na Corte.
Nesta segunda-feira (14/9), a PF cumpriu mandados de busca em São Paulo e no Distrito Federal, na terceira fase da Operação Transparência. A apuração, autorizada por Dino, examina suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. O alvo da investigação é o deputado — não o ministro.
Nos diálogos de 12 de junho de 2025 com a advogada Mariângela Fialek (“Tuca”), Cezinha disse que seria atendido às 16h e confirmou: “Ministro Kassio”. Escreveu ainda: “Aí vou pedir a ele” e “foi até bom que ele vai ver se de fato eu preciso pedir expressamente”. Para Dino, em juízo preliminar, o parlamentar “não se limitava a encaminhar peças” e “comprometia-se a formular pedido pessoal e direto ao julgador”.
A PF descreve padrão em que Fialek encaminhava peças, Cezinha dizia ter “falado” ou “despachado” com ministros, e contratos de honorários de êxito eram formalizados com a esposa do deputado, Valéria Rodrigues Linhares. Processos citados incluem reclamações de relatoria de Nunes Marques (Rcl 79.545 e Rcl 81.608) e de Edson Fachin (Rcl 76.831).
A corporação afirma, no mesmo conjunto, não haver elemento que indique solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrante do Poder Judiciário. Dino registrou que Nunes Marques não é investigado.
A defesa do deputado diz que ele está à disposição das autoridades, nega irregularidade e critica o momento da operação, em “circunstância política e eleitoral”. O Estadão informou ter pedido manifestação a Nunes Marques.
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