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Sábado, 10 de outubro de 2026

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Justiça do Paraná condena médica a 11 anos e 8 meses por falsos diagnósticos de câncer de pele

Por Redação
Publicado em 11/09/2026 às 11:16

Carolina Fernandes Biscaia, de Pato Branco, foi sentenciada por exercício ilegal da profissão, lesão corporal e estelionato. A defesa recorre.

A Justiça de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, condenou na quinta-feira (10) a médica Carolina Fernandes Biscaia a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado. A sentença reconheceu exercício ilegal de atividade profissional — ela se apresentava como dermatologista sem registro da especialidade nos Conselhos Regionais de Medicina do Paraná e de São Paulo —, além de 21 crimes de lesão corporal e 32 de estelionato. A defesa afirmou que o juízo de primeiro grau acolheu apenas parte dos pedidos e que vai recorrer. Segundo o G1, ela pode recorrer em liberdade. 

A investigação começou em março de 2024, depois que pacientes desconfiaram de cirurgias pedidas por ela. Pelo menos 38 pessoas foram ouvidas. Em parte dos casos, a Justiça entendeu que não havia prova suficiente para condenar. O Ministério Público estimou prejuízo de cerca de R$ 130,4 mil às vítimas. 

Segundo a Polícia Civil, o método era reiterado. A médica examinava pintas e manchas, sugeria risco de câncer, retirava material e encaminhava a laboratório. Na reconsulta, apresentava laudo falso. A perícia concluiu que a adulteração era feita com máquina de xerox no próprio consultório: documentos falsos sobrepostos aos verdadeiros geravam novas versões. Havia, ainda, “forte pressão psicológica” para que o procedimento fosse feito imediatamente no consultório. 

Um áudio gravado por paciente em janeiro de 2024 mostra a médica comemorando a retirada de um “melanoma” — tipo agressivo de câncer de pele — que depois se revelou inexistente. A vítima cruzou o laudo entregue no consultório com o documento original do laboratório, gastou mais de R$ 5 mil e ficou com cicatriz desnecessária na perna esquerda. 

Nas redes, o perfil de Carolina tinha mais de 17 mil seguidores e anunciava dermatologia e oncologia cutânea. O CRM-PR já a punira, em março de 2024, com censura pública por anunciar especialidade que não possui. Em maio daquele ano, o conselho determinou interdição cautelar total de 180 dias, referendada pelo CFM. Em consulta recente ao site do Conselho Federal de Medicina, o registro ainda aparece como “regular”. Questionado pelo G1, o CRM-PR limitou-se a lembrar que sindicâncias e processos ético-profissionais tramitam em sigilo. 

A condenação é de primeiro grau. Não há, nas fontes consultadas, informação de trânsito em julgado nem de cassação definitiva do registro profissional.