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Sábado, 10 de outubro de 2026

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Mendonça apresenta extratos de cartão e diz ter pago ternos citados em áudio de advogado de Vorcaro

Por Redação
Publicado em 07/09/2026 às 15:43

Documentos em nome da esposa do ministro e faturas de cartão Visa correspondem às notas de fevereiro de 2025; gabinete já havia negado que as peças tenham sido pagas por Daniel Vorcaro.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apresentou extratos de cartão de crédito com pagamentos parcelados à Alegrete Alfaiataria, em São Paulo, depois que um áudio do advogado Ciro Rocha Soares a Daniel Vorcaro sugeriu que o magistrado havia sido levado à loja “para fazer um terno”.

A gravação, atribuída a 8 de fevereiro de 2025 e divulgada a partir de material obtido no celular de Vorcaro, traz a frase: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno.” “Vasco” é referência ao alfaiate Vasco Vasconcellos. A divulgação ocorreu no início de setembro de 2026, no contexto das apurações sobre o Banco Master.

No dia seguinte à repercussão do áudio, Mendonça apresentou duas notas fiscais da mesma alfaiataria, somando cerca de R$ 26,4 mil, emitidas em nome de Janey Nagliatti Mendonça. A primeira, de 8 de fevereiro de 2025, registra terno cinza, camisas sob medida e outros itens (valor final próximo de R$ 16,5 mil após desconto). A segunda, de 28 de fevereiro, inclui blazers sob medida e acessórios (cerca de R$ 9,9 mil após desconto).

As notas, no entanto, comprovam a emissão da compra, não o meio de pagamento. Procurado pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, o ministro disponibilou faturas do cartão Visa. Na fatura com vencimento em 11 de março de 2025 aparece compra de R$ 4 mil na Alegrete Alfaiataria em 8 de fevereiro — primeira de quatro parcelas. No extrato seguinte constam a segunda parcela de R$ 4 mil da mesma compra e uma parcela de R$ 3,3 mil, de um total de três, relativa à aquisição de 28 de fevereiro.

O gabinete de Mendonça já havia afirmado que o terno foi encomendado, mas não pago por Vorcaro. Em nota, o ministro disse ter recebido o empresário “uma única vez”, em março de 2025, “por iniciativa do próprio empresário”, e que “se limitou a ouvi-lo”. No mesmo mês, atendeu o advogado e manteve memoriais no gabinete. A relatoria do caso Master no STF foi atribuída a Mendonça em fevereiro de 2026 — cerca de um ano depois da visita à loja e do encontro informado.

A defesa de Ciro Soares sustentou que marcar conversas com magistrados é prática da advocacia e que, em fevereiro de 2025, Vorcaro não era investigado e o ministro não era relator de processo vinculado ao empresário.

O episódio não altera, por si só, a situação processual da Operação Compliance Zero. O que está documentado até aqui é a existência do áudio, a coincidência de data com a nota fiscal, a apresentação posterior de extratos de cartão em nome do ministro e a negativa de que as peças tenham sido custeadas por terceiro. Não há, nas fontes consultadas, decisão judicial que qualifique o episódio da alfaiataria.