Relatos sobre deslocamentos em aviões de empresários e de dirigente partidário contrastam com discurso de austeridade e transparência defendido pelo senador
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), candidato ao governo de Minas Gerais, teria utilizado aeronaves particulares de empresários e de aliados políticos para realizar viagens entre Minas Gerais e Brasília.
As informações foram publicadas pela coluna de Neila Guimarães, no Metrópoles. Segundo a publicação, um ex-deputado federal mineiro afirmou que Cleitinho recorreu, desde o início do mandato no Senado, a aviões ligados ao deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos em Minas Gerais.
O senador também teria viajado, entre 2025 e 2026, em um Cessna 210L, de prefixo PR-SBS, pertencente ao empresário e produtor rural Roberto Altino, de Governador Valadares. Conforme o relato reproduzido pela coluna, a aeronave seria disponibilizada para deslocamentos semanais entre Divinópolis e Brasília, com pouso no aeródromo de São Sebastião, no Distrito Federal.
As informações sobre a frequência e as circunstâncias dessas viagens são apresentadas como alegações e ainda demandam esclarecimentos dos envolvidos.
Discurso público de austeridade
O episódio chama atenção por contrastar com a imagem política construída por Cleitinho, marcada pela defesa de uma vida simples, pela crítica aos privilégios concedidos a autoridades e pela cobrança de transparência no uso de aeronaves oficiais.
Em abril de 2025, o senador criticou publicamente o sigilo sobre as listas de passageiros dos voos realizados por autoridades em aviões da Força Aérea Brasileira. Na ocasião, declarou que pessoas públicas deveriam submeter seus deslocamentos ao conhecimento e à fiscalização da sociedade. Agência Senado
A utilização de uma aeronave particular cedida por terceiros não representa, por si só, a aplicação direta de dinheiro público. O caso, entretanto, suscita questionamentos sobre transparência, eventual conflito de interesses e identificação de quem custeou os deslocamentos.
Também ganha relevância a necessidade de esclarecer a finalidade das viagens, as pessoas responsáveis pelas despesas e a existência de possíveis interesses privados relacionados à atuação parlamentar.
Proximidade política com Euclydes Pettersen
A revelação também coloca em evidência a proximidade entre Cleitinho e Euclydes Pettersen. O dirigente partidário teve participação importante na trajetória política do senador e foi responsável por sua entrada no então PSC, legenda pela qual Cleitinho foi eleito para o Senado em 2022.
Os dois deixaram o partido juntos em dezembro daquele ano, durante o processo de reorganização provocado pelo não cumprimento da cláusula de barreira. Atualmente, integram o Republicanos, presidido por Pettersen em Minas Gerais.
Outra reportagem, publicada pelo portal O Fator em agosto de 2026, informou que Cleitinho utilizou ao menos dois aviões particulares em deslocamentos para reuniões políticas em Minas Gerais, São Paulo e no Distrito Federal. A publicação afirmou ter consultado registros de voos e identificou, entre as aeronaves, um avião pertencente a Euclydes Pettersen. O Fator
Transparência e interesse público
O uso de aeronaves privadas por agentes públicos não é automaticamente irregular. A avaliação jurídica depende de fatores como origem dos recursos, finalidade do deslocamento, relação entre o beneficiário e o proprietário do avião e existência de eventual contrapartida.
No plano político, porém, o episódio exige explicações pela aparente distância entre o discurso de austeridade adotado pelo senador e a utilização recorrente de transporte aéreo oferecido por empresários ou aliados.
Para uma conclusão responsável, será necessário conhecer a manifestação de Cleitinho, dos proprietários das aeronaves e dos demais citados, além de verificar documentalmente quem arcou com os custos e quais foram as finalidades de cada viagem.