Primeiro encontro presencial após a retirada de sigilo do relatório da PF ocorreu sem pronunciamento no julgamento e com imagens de descontração no hall; origem da foto ainda não foi identificada.
Nesta quarta-feira (2), o Supremo Tribunal Federal realizou a primeira sessão plenária presencial depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, com interlocutor identificado pela PF como o ministro Alexandre de Moraes.
No plenário, o tema não foi citado. Moraes e Mendonça ocuparam as cadeiras vizinhas previstas no regimento, evitaram cumprimento e contato visual, segundo relatos de veículos que acompanharam a sessão. O presidente da Corte, Edson Fachin, não abriu o julgamento com discurso sobre o episódio. Em nota anterior, Fachin havia falado em momento de “especial gravidade” e afirmado que o cargo “não confere privilégio”.
Ao fim da sessão, Moraes deixou a sede acompanhado dos ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Luiz Fux, sob esquema de segurança maior que o habitual, conforme o Correio Braziliense. O Estadão registrou que, no intervalo, era possível ouvir risadas na sala de lanches contígua ao plenário, e que um ministro descreveu o clima interno como “calmo”.
Circula nas redes uma fotografia de ministros sorrindo no hall de mármore do tribunal. Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação oficial sobre quem registrou ou vazou a imagem. A foto, por si, não comprova o conteúdo da conversa nem autoriza atribuir aos magistrados comentário específico sobre o relatório da PF.
O que está documentado no relatório tornado público por Mendonça, segundo a cobertura de Folha, Estadão, Reuters e JOTA, é o registro de mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Moraes — inclusive pergunta, dois dias antes da prisão do banqueiro, se já deveria deixar o país. As respostas de Moraes não constam do material divulgado. A PGR pediu anulação do relatório; Mendonça defendeu que o plenário analise os novos elementos.
A sessão desta quarta não julgou o Caso Master. Serviu, na prática, como teste de convivência institucional. O próximo passo formal depende de Fachin marcar sessão específica e da manifestação da Procuradoria-Geral da República.