No sertão de Jaboatão, onde o processo não finda, um advogado, de coração, pegou o cordel e se vinga.
Dez anos de execução, desde o ano de dezesseis, uma compra e venda de imóvel que ainda não se desfaz.
Setenta e oito mil e novecentos, mais custas e mais honorários, multa do Código Civil por falta de pagamento voluntário.
O juiz Bruno Jader Silva Campos viu que a empresa não pagou, não impugnou no tempo certo, e mandou bloquear o que sobrou.
Pela teimosinha do Sisbajud, trinta dias de insistência, cem mil reais de crédito esperando a resistência.
Não veio o dinheiro, não veio, e em agosto o advogado voltou, com versos de cordel na mão e o processo na outra, de novo.
Falou do mandacaru sertanejo, das festas de São João que passaram, dos natais e das eleições que vieram e se acabaram.
Depois do verso, o juridiquês: pediu os atos que faltavam, sem pressa desmedida, não — só a duração razoável que esperavam.
A petição está nos autos, aguardando apreciação. O nome do poeta não se sabe, mas a coragem se anuncia.
Se o juiz der ouvidos ao cordel, a execução pode enfim findar. Se não der, o advogado volta com mais um verso pra cantar.
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