Pular para o conteúdo
Domingo, 30 de agosto de 2026

Menu

STJ afasta desembargador após filho receber R$ 69 mil de empresário investigado por fraude

Afastamento de 180 dias do desembargador Luiz França Belchior Silva foi determinado pelo ministro Francisco Falcão, por fortes indícios de venda de sentenças

Por Valdetário Monteiro
Publicado em 30/08/2026 às 03:49

O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou o afastamento por 180 dias do desembargador Luiz França Belchior Silva. A decisão, motivada por fortes indícios de venda de sentenças revelados pela Operação Inauditus da Polícia Federal, veio à tona após a descoberta de uma transferência de R$ 69 mil para o filho do magistrado por um empresário investigado, ocorrida poucos dias após sua posse no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) em abril de 2024.

Segundo a PF, o montante foi depositado na conta de Luiz França Belchior Silva, filho do desembargador, em abril de 2024, apenas 48 horas depois que o pai assumiu a toga no TJ-MA. O valor partiu da empresa Lucena Infraestrutura, cujo sócio é o empresário Antônio Edinaldo da Luz Lucena. O empresário, também alvo de busca e apreensão na Operação Inauditus, é suspeito de comprar decisões judiciais na Corte e de manter ligações com magistrados que foram afastados anteriormente por motivos semelhantes. As defesas não se manifestaram até então.

“Sendo coincidência ou não, o que se verifica é que, após o pagamento, foram prolatadas três decisões favoravelmente a Manoel Ribeiro”, afirma a Polícia Federal. Manoel Ribeiro é um ex-deputado estadual do Maranhão com seis mandatos consecutivos, que presidiu a Assembleia Legislativa entre 1993 e 2003, um período de grande influência política. A aparente correlação entre a transferência e as decisões reforça as suspeitas de que os valores poderiam ser parte de um arranjo para manipular resultados jurídicos, comprometendo a equidade e a moralidade pública. Até o momento, a defesa de Ribeiro não se posicionou sobre o caso.

A Operação Inauditus foi deflagrada após um acordo de delação premiada selado pelo empresário Maurílio Ramalho de Oliveira com a Polícia Federal. Em seu depoimento, Oliveira detalhou um esquema complexo que teria envolvido a compra de decisões judiciais e a atuação de figuras como Manoel Ribeiro e Antônio Edinaldo da Luz Lucena, cujas ações agora estão sob investigação.

O afastamento cautelar do desembargador Luiz França Belchior Silva pelo período de 180 dias permite que a Polícia Federal e o Ministério Público prossigam com a investigação sem interferências. A medida visa preservar a lisura do processo e assegurar que todas as provas sejam coletadas de forma imparcial. O espaço para a defesa do magistrado se manifestar segue em aberto.