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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

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Bacharel em Direito, preso preventivamente desde 22/9, PCCE apura indução, instigação ou auxílio ao suicídio.

Bacharel em Direito, preso preventivamente desde 22/9, prestou depoimento em 21/9. PCCE apura violência psicológica e indução, instigação ou auxílio ao suicídio.

Por Redação
Publicado em 26/09/2026 às 00:14
Atualizado em 26/09/2026 às 14:39

João Munhoz Neto, 34, namorado da estudante de Direito Isabelle Caracristi, 22, encontrada morta em 13 de setembro no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, descreveu à Polícia Civil, em 21 de setembro, o início do relacionamento, uma dívida de R$ 14.035 e o que fez na noite da morte. O O Povo obteve o teor do depoimento. Ele permanece preso preventivamente, investigado por suspeita de violência psicológica e de indução, instigação ou auxílio ao suicídio. A prisão foi mantida em audiência de custódia.

Segundo o relato, os dois se conheceram quando Isabelle foi selecionada, entre fim de julho e início de agosto, para escritório de correspondência jurídica em que ele era gestor. Ele negou namoro anterior à contratação e classificou a aproximação posterior como mútua. Disse que sugeriu que ela ficasse no apartamento — onde morava com a mãe e o irmão — por considerar arriscado o retorno noturno da universidade. A mãe dele passou a ficar no Cumbuco por orientação médica.

João confirmou conflitos “pontuais”, uma suspeita de gravidez com exame negativo e importunação relatada por Isabelle por morador do condomínio. Afirmou que, após ela deixar o estágio, passou a lhe transferir dinheiro: R$ 14.035 para “aplicações” cujo destino ele disse desconhecer. A mãe dele teria entregue mais R$ 7 mil, valor depois corrigido por ela. Ele disse cobrar a devolução sem ameaças, mas chegou a cogitar acionar a polícia. A versão é dele; a PCCE descreve relação controladora e isolamento, com áudios e relatos de familiares e do ex-chefe do escritório.

Na noite de 13/9, segundo o depoimento, ele teria ido à Igreja de Fátima por volta das 18h40 e ficado para a segunda celebração. Entre 19h14 e 19h16, Isabelle teria enviado: “Realmente não estou aguentando. Estou sentindo uma sensação estranha.” Ele disse que o celular estava no silencioso. Por volta das 21h40, o irmão avisou de uma morte no prédio. Câmeras do condomínio, segundo o G1, mostram Isabelle sozinha no elevador por volta das 19h12, em direção ao 23º andar. O delegado-geral Márcio Gutiérrez afirmou que a perícia aponta precipitação voluntária e que testemunhas e imagens indicam que ela foi sozinha ao terraço.

João disse ter acompanhado buscas no imóvel, entregue o celular com senhas e não reconhecido o corpo. Não foi ao enterro, segundo ele, por choque e “medo da família”. Sobre câmeras no apartamento, afirmou que a mãe as instalou e que o sistema só detectava movimento, sem gravação; negou tê-las desativado. Admitiu estar formalmente casado, separado de fato havia 15 dias, ao iniciar o namoro.

A PCCE aponta postura “não colaborativa”: limpeza e anúncio de venda do imóvel, restrição à entrada da família no condomínio e dificuldade de localização. A defesa, pela advogada Lígia Peixe, nega homicídio e instigação e diz que ele não estava no prédio no momento da queda. A investigação na 2ª DP, na Delegacia da Mulher e no DHPP segue, com depoimentos adicionais — inclusive da ex-mulher, prevista para este sábado.