A edição de 21 de agosto de 2026 da revista Veja dedica a capa ao que chama de “Bastidores do Poder”. A reportagem informa que a publicação teve acesso ao inquérito da Polícia Federal que investiga alegado esquema de tráfico de influência no Ministério da Saúde. Segundo a PF, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), integra a engrenagem.
O trecho destacado na capa, identificado como “1.9 CONCLUSÃO” de uma Representação da Autoridade Policial, afirma:
“Os elementos probatórios obtidos no curso da investigação revelam a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal.”
A capa mostra as fotos de Fernando Bittar, Fábio Luís Lula da Silva e Roberta Moreira Luchsinger.
Diálogos sobre contrato de cannabis e menção a “sócio” de ministro do STF
No mesmo dia em que a Veja circula com a capa, o jornal O Estado de S. Paulo (edição de 20 de agosto de 2026) publica matéria com o título “Amiga de Lulinha diz que ‘sócio’ de Nunes Marques atuaria em contrato de cannabis”.
De acordo com o jornal, em conversas obtidas pela Polícia Federal, a lobista Roberta Luchsinger cita o advogado Otto Medeiros como “bem influente” e “sócio do Cássio” — referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques. As menções aparecem no contexto de tentativas de negociar a venda de cannabis medicinal ao governo federal, em parceria com Lulinha.
Roberta teria indicado interesse em obter 20% de lucro no negócio. Em um dos trechos reportados, ela sugere: “Convém citar a forma de remuneração especificada na minuta do contrato, ou seja, no prazo de 12 meses, 20% do faturamento da empresa relacionada à venda de subprodutos de cannabis para órgãos da administração pública.”
O ministro Kassio Nunes Marques, segundo o Estadão, negou ser sócio de Otto Medeiros. Afirmou que mantém apenas relação de amizade e se declarou impedido de atuar em processos nos quais o advogado seja parte.
A reportagem do Estadão também registra que a defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou e que o Ministério da Justiça deveria apurar eventuais vazamentos.
Contexto da cobertura
As publicações da Veja e do Estadão ocorrem em meio ao calendário eleitoral de 2026 e colocam o filho do presidente e a empresária/lobista no centro da atenção da grande imprensa nacional. As informações publicadas até o momento baseiam-se em documentos e diálogos obtidos pela Polícia Federal e reproduzidos pelos dois veículos.
Não há, nas matérias, informação de indiciamento ou condenação. Os textos limitam-se a divulgar o conteúdo do material investigativo a que tiveram acesso e as manifestações das partes citadas.