O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) que a Polícia Federal (PF) incorpore novos episódios de vazamento de informações sigilosas à investigação já em curso sobre o caso de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A decisão foi proferida na Petição (PET) 15.246 e atende a pedido apresentado pela defesa de Lulinha. O objetivo é identificar a origem dos dados divulgados recentemente por veículos de imprensa, sem direcionar a apuração contra jornalistas.
O que motivou a determinação
A defesa apontou reportagens publicadas neste mês que reproduziram mensagens e informações consideradas de origem em procedimentos sigilosos relacionados à Operação Sem Desconto. Entre elas:
• reportagem do portal Metrópoles, de 17 de agosto, sobre conversas de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger;
• matéria da revista Veja, de 20 de agosto, que apresentou trechos de conversas e documentos policiais e afirmou ter tido acesso à íntegra de um inquérito sigiloso.
Outros veículos, como O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, CNN Brasil e Poder360, também foram mencionados na decisão.
Foco da investigação
A apuração sobre vazamentos já tramita desde fevereiro de 2026, por meio do Inquérito Policial (IPL) nº 2026.0003576-CGFAZ/DICOR/PF, instaurado para investigar a origem de vazamentos relacionados à Operação Sem Desconto e a outros procedimentos com a mesma fonte de provas.
Mendonça determinou que os novos episódios sejam incluídos nesse inquérito. Na decisão, o ministro reiterou que a investigação não deve ter como foco, em hipótese alguma, os autores ou responsáveis pela veiculação das notícias jornalísticas.
Segundo o magistrado, o foco deve estar em pessoas que tinham o dever funcional de preservar os dados sigilosos ou que não possuíam autorização legal para acessá-los. A decisão reforça a garantia constitucional do sigilo da fonte jornalística e a proteção à liberdade de imprensa.
Contexto dos inquéritos
O STF analisa três inquéritos envolvendo Lulinha. Dois deles, sob relatoria de Mendonça, apuram suspeitas de tráfico de influência relacionadas ao Ministério da Saúde e à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). O terceiro, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga possível atuação para favorecer interesses privados junto a órgãos públicos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defende que pelo menos dois dos casos sejam enviados à primeira instância da Justiça Federal. Mendonça avalia manter ao menos um deles no Supremo, diante da possível existência de mensagens envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função.





