Conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, publicadas nesta terça-feira (15) pelo Metrópoles e pela Folha, relacionam o advogado Kevin de Carvalho Marques — filho do ministro Kassio Nunes Marques — à anotação “500 mil mês”. A divulgação ocorre na manhã em que o plenário do STF analisa a Petição 16.662, sobre o relatório da PF no caso Master.
Em 4 de julho de 2025, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, enviou a Vorcaro um arquivo com o nome “Kevin Marques”, um telefone e o texto: “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”. Na sequência, Rennó comentou: “Esse aqui já era, né?”. Vorcaro respondeu com risadas. Em 8 de agosto de 2025, Rennó reenviou a planilha e escreveu “foi pago”. As mensagens são registro do celular do banqueiro, não sentença.
À coluna, Nunes Marques disse que o filho nunca trabalhou para o Master e, portanto, não recebeu valor algum do banco. A assessoria de Kevin afirmou que ele não prestou serviço ao Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro. Informou que recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária por serviços tributários administrativos, sem relação com o STF.
Esse pagamento da Consult já havia sido mapeado pelo Coaf: 11 transferências de R$ 281.630 ao escritório de Kevin. No mesmo período, a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Master e R$ 11,3 milhões da JBS. A consultoria declarou faturamento muito inferior à movimentação, o que o Coaf classificou como incompatível com a capacidade financeira informada. Kevin tem 25 anos e foi aprovado na OAB em 2024.
A reportagem do Metrópoles também liga as mensagens a um julgamento de 1º de outubro de 2024 sobre a destilaria Alcídia, no qual votaram Fachin, Toffoli e Nunes Marques — caso com impacto em precatórios do setor sucroalcooleiro no balanço do Master. São conexões temporais relatadas pela coluna; não há, neste fechamento, decisão do plenário sobre elas.
O efeito prático desta terça é político-processual: um ministro que deve participar da sessão extraordinária sobre o caso Master vê o nome do filho aparecer, na mesma manhã, em anotações do celular do principal investigado. Isso não prova pagamento de R$ 500 mil nem impede automaticamente o voto. Embaralha o ambiente do julgamento.