A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) passou a conviver com o desgaste da proximidade com o advogado Willer Tomaz, alvo de operação da Polícia Federal nas investigações sobre descontos indevidos no INSS. A reportagem de O Globo desta sexta-feira (18) reúne viagens internacionais, uso de imóveis e o apartamento da Vila Nova Conceição, em São Paulo, cedido no mês passado para o senador na campanha.
Em março de 2025, nove meses antes de se lançar à Presidência, Flávio viajou à África do Sul com familiares e amigos. No roteiro de uma semana, com safári, estava Willer Tomaz. Segundo o jornal, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) também integrou o grupo. A PF apreendeu no celular do advogado, em buscas no escritório no mês passado, foto do trio em savana, com camisetas “Big Five”. A ÉNotório não reproduz essa imagem porque há crianças no registro.
O Globo afirma que a PF identificou cinco viagens internacionais de Flávio com Willer no primeiro semestre de 2025 (África do Sul, Portugal, França e Estados Unidos), a partir de reservas e mensagens apreendidas. Weverton e Willer entraram na mira das apurações do INSS. Relatório que embasou as buscas descreve Tomaz como “hub financeiro, patrimonial e logístico” de envolvidos no suposto esquema, com empresas, imóveis e operadores. O advogado diz que não é investigado por fraudes contra a Previdência e, em fase anterior, atribuiu diligência ao empréstimo de aeronave a Weverton.
O imóvel de campanha na Vila Nova Conceição foi cedido por Willer. Cobertura cruzada aponta passagem anterior do apartamento por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro; Tomaz afirmou não conhecer Zettel nem Vorcaro. Adversários questionam no TSE se a cessão deveria constar como doação de campanha.
Flávio classificou os vínculos como “relações privadas, que não envolvem dinheiro ou interesses públicos”. Willer também atua em processos com o senador e cedeu ou emprestou imóveis em Angra, segundo o jornal. Nada disso, isoladamente, equivale a sentença.
6. TEXTO DA ARTE