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Segunda-feira, 7 de setembro de 2026

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Quem é Ciro Rocha Soares, o advogado apontado pela PF como ponte entre Vorcaro e Gonet

Por Redação
Publicado em 06/09/2026 às 13:45

O Instagram do Metrópoles publicou recorte da coluna de Milena Teixeira sobre Ciro Rocha Soares, advogado apontado como ponte entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O texto parte de um dado já exposto em relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça, do STF: Ciro encaminhou a Vorcaro mensagens e uma foto ao lado de Gonet, com o recado de que o PGR queria falar com o banqueiro. A perícia registrou ligações em sequência pelo telefone do advogado. Para a PF, isso indica que Vorcaro teria falado com Gonet pelo aparelho de Ciro.

Ciro integrou a primeira linha de defesa do banqueiro, ao lado de Roberto Podval, no início da crise do Master. Deixou o caso quando Vorcaro passou a negociar delação premiada — método que, segundo a coluna, contraria o modo de atuar do advogado. A saída formal, no entanto, não encerrou o vínculo: Ciro diz a próximos que segue amigo e que não abandonaria Vorcaro no pior momento.

A origem da relação é social, não forense. Os dois se conheceram há cerca de seis anos em camarote do Mineirão, em jogo do Atlético-MG — clube no qual Vorcaro tinha faixa de patrocínio. A apresentação foi do empresário Saulo Wanderley. A amizade virou mandato e, depois, canal em Brasília.

Outros diálogos reproduzidos pela imprensa, sempre na chave “segundo a PF”, mostram Ciro encaminhando frases atribuídas a Gonet (“estou na torcida”, “já com saudade”, menção a charuto e uísque) no período em que o BRB negociava fatia do Master. Há ainda relato de Ciro a Vorcaro sobre pedido a Gonet em disputa interna de procuradores. Isso é conteúdo de relatório e de mensagens apreendidas — não sentença contra o PGR.

Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, após a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central. Responde, no conjunto das investigações, a suspeitas que incluem gestão fraudulenta, lavagem e organização criminosa. Nada disso, por si só, prova crime do advogado ou do procurador-geral. Prova, no máximo, o tamanho do constrangimento institucional: o problema do banco não se resolve quando muda o titular da defesa ou o interlocutor do corredor.

É o dilema do mico. Tirar o processo do ombro de um não apaga a crise. Só troca quem carrega o recado.