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Quarta-feira, 9 de setembro de 2026

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FACHIN ABRE PROCEDIMENTO E DÁ CINCO DIAS PARA MORAES, MENDONÇA, GONET E DIRETOR DA PF RESPONDEREM

Presidente do STF pretende esclarecer eventual nulidade em atos praticados nas apurações sobre o caso Master antes de uma possível análise pelo Plenário.

Por Redação
Publicado em 04/09/2026 às 01:26

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu um procedimento para esclarecer questionamentos sobre a atuação do ministro André Mendonça nas investigações que alcançaram autoridades com foro por prerrogativa de função.

Fachin concedeu prazo de cinco dias para que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem suas manifestações.

A providência é preliminar. Seu objetivo é reunir informações para verificar se houve eventual nulidade em atos relacionados às apurações envolvendo Moraes, Gonet e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão:

  • A possível investigação irregular de autoridades com foro por prerrogativa de função;
  • O eventual uso de credenciais institucionais para acessar documento de natureza particular;
  • A possível revelação de informações protegidas por sigilo judicial a pessoa investigada;
  • As circunstâncias do despacho de Mendonça que determinou a identificação de autoridades mencionadas nos documentos da Polícia Federal;
  • As medidas adotadas pela Procuradoria-Geral da República no exercício do controle externo da atividade policial.

Questionamento da PGR

A iniciativa de Fachin ocorre após a PGR pedir a nulidade de uma decisão de André Mendonça relacionada às conversas atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Paulo Gonet sustenta que a apuração determinada por Mendonça teria alcançado pessoas com foro por prerrogativa de função sem a autorização necessária. Segundo a manifestação, ministros do STF somente poderiam ser investigados mediante autorização do Plenário da própria Corte.

A PGR também questiona o fato de a Polícia Federal ter destinado parte significativa de seu relatório à análise de informações relacionadas a Alexandre de Moraes.

Possível julgamento no Plenário

Mendonça, por sua vez, pediu que a controvérsia fosse submetida ao Plenário do Supremo. Antes de levar o caso ao colegiado, Fachin decidiu ouvir todos os envolvidos.

Na decisão, o presidente da Corte afirmou que lhe cabe garantir que uma eventual apreciação colegiada ocorra com responsabilidade e respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.

Somente depois das respostas, Fachin deverá decidir quais providências serão adotadas e se a questão será efetivamente submetida aos demais ministros.

O procedimento não representa, neste momento, declaração de ilegalidade, abertura de processo disciplinar ou reconhecimento de responsabilidade de qualquer uma das autoridades mencionadas.