Discussão na Câmara de Curitiba termina com acusação de xenofobia após fala sobre origem de vereadora

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta-feira (5 de agosto de 2026) foi marcada por tensão durante o debate de um projeto de lei sobre pessoas em situação de rua. A vereadora Tathiana Guzella (PL) questionou a colega Vanda de Assis (PT) sobre o motivo de não retornar à cidade onde nasceu, no Ceará. Vanda de Assis classificou a declaração como xenofóbica. O presidente da sessão interrompeu a fala de Guzella. Posteriormente, a vereadora do PT protocolou representação no Ministério Público Federal e a vereadora do PL registrou boletim de ocorrência.

O episódio no plenário

O momento ocorreu no debate do Projeto de Lei de autoria do vereador João Bettega (PL), que institui a Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua em Curitiba. O texto conta com apoio de Tathiana Guzella.

Vanda de Assis foi a primeira a se manifestar sobre a proposta. Enquanto discursava na tribuna, Tathiana Guzella solicitou um aparte e, de seu assento, dirigiu-se à colega:

“Vereadora, você é de Campos Sales, no Ceará?”

“Eu sou de Campos Sales, no Ceará”, respondeu Vanda.

Tathiana continuou: “Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui.”

Vanda de Assis rebateu imediatamente, classificando a fala como xenofobia e afirmando que se trata de crime. O vereador Leonidas Dias (Podemos), que presidia os trabalhos, desligou o microfone de Tathiana Guzella e informou que ela poderia se inscrever para se manifestar posteriormente.

Desdobramentos

Após a sessão, Vanda de Assis informou que protocolou representação de notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) por xenofobia. Ela também tentou registrar ocorrência junto à Polícia Militar, mas afirmou que nenhuma equipe se deslocou até a Câmara.

Tathiana Guzella registrou boletim de ocorrência por suposto crime contra a honra. Em nota e em vídeo divulgado nas redes sociais, a vereadora do PL afirmou que a fala foi tirada de contexto após ser impedida de concluir o raciocínio. Segundo ela, a intenção era sugerir que Vanda constatasse no Ceará que a política de esquerda que defende “não deu certo”. Tathiana destacou ainda ser migrante de Santa Catarina e que defende o povo nordestino.

Quem são as vereadoras

Vanda de Assis (Antonia Vandecia de Assis) é natural de Campos Sales (CE), reside em Curitiba há cerca de 30 anos e foi eleita em 2024 para o primeiro mandato, com 5.006 votos. Ela se apresenta como a primeira vereadora nordestina eleita na capital paranaense.

Tathiana Guzella (Tathiana Laiz Guzella), conhecida como Delegada Tathiana, é natural de Caçador (SC). Foi eleita em 2024 pelo União Brasil (12.515 votos) e migrou para o PL em 2026. É delegada da Polícia Civil e está em seu primeiro mandato.

O episódio foi registrado na transmissão oficial da sessão da Câmara Municipal de Curitiba e repercutiu em veículos de imprensa, entre eles G1, Folha de S. Paulo, Gazeta do Povo, Metrópoles e Correio Braziliense. Até a publicação desta matéria, a Câmara Municipal de Curitiba não havia recebido representação formal sobre o caso, segundo informações divulgadas pela própria Casa. 

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