O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Ulisses Rabaneda está entre os alvos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6 de agosto de 2026). Um dos advogados mais renomados do Estado de Mato Grosso, Rabaneda integra o CNJ desde fevereiro de 2025, após ser indicado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Além dele, já são alvos conhecidos da operação o ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União), o deputado federal Fábio Garcia (União), a sede da Procuradoria-Geral do Estado e o antigo escritório do desembargador Ricardo Almeida.
Posicionamentos
Procurada, a assessoria de imprensa de Rabaneda informou que deve se manifestar ainda pela manhã sobre o mandado cumprido contra ele.
O desembargador Ricardo Almeida afirmou, por meio da assessoria, que o mandado é cumprido em seu antigo escritório e não em endereços pessoais. Ele ainda aguarda tomar conhecimento do teor das investigações para se posicionar publicamente.
A Procuradoria-Geral do Estado relatou que está colaborando com as autoridades. Em nota, a PGE afirma: “Confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido. Aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido”.
O ex-governador Mauro Mendes ainda não se posicionou publicamente até a publicação desta matéria.
A Operação Heritage
A operação apura crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro em um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
Policiais federais cumprem 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também estão sendo cumpridas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, proibição de saída do país com o recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras medidas cautelares.
As investigações tiveram origem na análise de um acordo celebrado entre o Estado de Mato Grosso e empresa privada de telefonia, envolvendo a restituição de valores decorrentes de disputa tributária. Há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos superiores a R$ 308 milhões, mediante a utilização de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e de dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação.





