A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, recebeu o Troféu Ernando Uchôa Lima em encontro registrado em gabinete. A comenda foi entregue pelo conselheiro federal da OAB Valdetário Andrade Monteiro e pelo presidente da Ordem no Amapá, Israel Gonçalves da Graça.
A honraria evoca Francisco Ernando Uchôa Lima, jurista cearense, ex-presidente da OAB-CE e único cearense a presidir o Conselho Federal da OAB.
A homenagem encontra na destinatária uma trajetória que cruza advocacia, magistério e magistratura federal. Natural de Londrina (PR), Maria do Carmo Cardoso deixou a cidade natal ainda jovem e foi a Brasília para exercer a profissão. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1982, e concluiu pós-graduação em Direito Processual Civil e Penal pelo ICAT/AEUDF, em 1987.
Antes da toga, foi advogada e professora. Lecionou Direito Romano no Rio de Janeiro, em 1983, e depois Teoria Geral do Processo e Processo Civil na AEUDF, em Brasília. Também integrou o Tribunal do Júri do TJDFT e atuou como conciliadora no Juizado Informal de Pequenas Causas do Distrito Federal.
Em 28 de dezembro de 2001, tomou posse no TRF1 na vaga do quinto constitucional reservada à advocacia. Completou, segundo o próprio tribunal, cerca de 25 anos de magistratura somados a outros 25 anos dedicados à advocacia. Na Corte, exerceu a Corregedoria Regional, percorreu seções e subseções da 1ª Região, presidiu o Sistema de Conciliação em mais de um período e atuou no monitoramento de presídios de segurança máxima, além de projetos de Justiça Restaurativa.
Em 12 de fevereiro de 2026, o Plenário elegeu-a presidente para o biênio 2026-2028. A posse ocorreu em 23 de abril de 2026. Ela é a segunda mulher a presidir o TRF1 desde a criação do tribunal, em 1989 — a primeira foi a então desembargadora Assusete Magalhães. A 1ª Região cobre 12 estados e o Distrito Federal e é uma das maiores estruturas da Justiça Federal do país.
Na posse, a magistrada reafirmou compromisso com a autonomia do tribunal, a independência dos julgadores e o diálogo com a advocacia, o Ministério Público, a AGU e a Defensoria. Destacou o tamanho da circunscrição e a exigência de que a Justiça Federal chegue com a mesma qualidade aos grandes centros e às localidades mais remotas.
Valdetário Andrade Monteiro, ex-presidente da OAB-CE e ex-conselheiro do CNJ, representa o Amapá no Conselho Federal. Israel Gonçalves da Graça preside a OAB/AP no triênio 2025-2027.