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Domingo, 20 de setembro de 2026

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Coluna de Lauro Jardim divulga vídeo de Moraes em jato ligado a Vorcaro

O voo de 22 de agosto de 2025, no Legacy 650 prefixo PP-NLR, ocorre três meses depois da data que a PF atribui à minuta de R$ 50 milhões com a Viking Participações. Moraes e o escritório da esposa negam o segundo contrato e o uso de aeronaves do empresário.

Por Redação
Publicado em 20/09/2026 às 09:03

Um vídeo divulgado neste domingo pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, registra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes desembarcando, em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de um jato executivo Legacy 650 de prefixo PP-NLR. Segundo a coluna, a aeronave pertencia à época a empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. 

O registro ganha peso político e institucional porque, em nota do STF de abril de 2026, Moraes afirmou que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Procurado de novo pelo jornal na sexta-feira, o ministro manteve a mesma versão. No vídeo descrito pela reportagem, o casal deixa a aeronave e um segurança retira duas malas. 

A PF, na Operação Compliance Zero, já havia apontado que o PP-NLR aparece em documentos sobre um segundo contrato, de até R$ 50 milhões, entre o escritório Barci de Moraes e a Viking Participações Ltda., holding ligada a Vorcaro, com data de 12 de maio de 2025 — cerca de três meses antes do voo. A minuta previa honorários em 36 meses e admitia dação em pagamento: R$ 40 milhões em cotas de empresas donas de um Legacy 650 (F24 / Fraction 024) e de um helicóptero Airbus EC 155 B1 (F53), além de R$ 10 milhões em reembolso de despesas de voo. Esse arranjo é distinto do contrato de cerca de R$ 130–131 milhões do Banco Master com o mesmo escritório. 

Moraes classificou as conclusões sobre o segundo contrato como “ilações absolutamente falsas” e afirmou que “inexistiu segundo contrato” com Vorcaro ou empresas ligadas a ele. O escritório Barci de Moraes diz que assinou apenas o primeiro contrato com o Master, que a proposta de R$ 50 milhões não foi aceita e que não houve transferência de cotas. Dados da Receita encaminhados à CPI do Crime Organizado indicam que o Master pagou cerca de R$ 80,2 milhões ao escritório entre 2024 e 2025, até a liquidação do banco. 

A coluna reproduz ainda diálogo de 16 de julho de 2025, extraído do celular de Vorcaro, em que o empresário pergunta a Marcos Matta, da PrimeYou (gestora das aeronaves): “Eles não estão usando?”. Matta responde que o uso já estava liberado, que “já usaram aviões e helicópteros” e que o variável não havia sido cobrado “devido mudança de contrato de Barci para a outra empresa deles Lux” — a reportagem interpreta “Lux” como referência à Lex, empresa da família. Vorcaro pede para manter o contato “pra eles poderem usar”. A ÉNotório não teve acesso autônomo a esses áudios ou prints; o conteúdo é atribuído à coluna e às peças da PF já tornadas públicas. 

O voo de agosto de 2025 ocorre em cenário em que o Banco Central já havia comunicado ao MPF indícios de gestão fraudulenta em operações Master–BRB, segundo a mesma reportagem. Vorcaro foi preso em novembro de 2025. Moraes sustenta que nunca julgou processo do Master ou de Vorcaro.

A divulgação do vídeo não equivale, por si, a prova de favorecimento funcional. Integra o conjunto de versões em conflito — imagens, relatórios policiais, minutas e notas oficiais — que o STF e a opinião pública passam a examinar com o material já sob relatoria de André Mendonça.