Encontro de 2 e 3 de setembro, na Villa Negroni, discutiu mercado jurídico, inteligência artificial e cooperação entre Brasil e Europa.
A Alps Academy reuniu em Lugano, na Suíça, juristas e advogados brasileiros e internacionais para discutir transformações do mercado jurídico e oportunidades de atuação entre Brasil e Europa. O Europe–Brazil Legal Summit ocorreu nos dias 2 e 3 de setembro, na Villa Negroni.
A iniciativa é da ALPS Academy e do World Law & Justice Forum, com apoio de Switzerland Tourism e da Lugano Region. A programação girou em torno de tecnologia, mercado, energia e regulação, em mesas-redondas com troca entre profissionais brasileiros e estrangeiros.
Participaram do Europe–Brazil Legal Summit, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, o ex-presidente nacional da Ordem Marcus Vinícius Furtado Coêlho e o ex-presidente nacional Felipe Santa Cruz. O encontro, iniciativa da ALPS Academy e do World Law & Justice Forum, também reuniu presidentes de boa parte das seccionais da OAB e integrantes da Diretoria da OAB Nacional, em debates sobre tecnologia, mercado, energia, regulação e as oportunidades da advocacia entre Brasil e Europa.
Bruno Barata, coordenador do Conselho da ALPS Academy e do World Law & Justice Forum, afirmou que o objetivo é criar pontes entre a advocacia brasileira e centros jurídicos e econômicos internacionais. “O Europe–Brazil Legal Summit nasce com esse propósito: reunir lideranças, aproximar diferentes mercados e discutir, de forma prática, como tecnologia, regulação e novos modelos de negócios estão transformando a atuação dos advogados. Lugano é um ambiente estratégico para essa conexão entre Brasil e Europa”, disse.
A fonte do evento informa que participaram dos debates profissionais como Carlos Caputo Bastos, Gustavo Tepedino e Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), além dos conselheiros Beto Simonetti e Marcus Vinícius Furtado Coêlho. Segundo a mesma divulgação, o encontro não contou com magistrados e os participantes viajaram com recursos próprios.
Beto Simonetti sustentou que a advocacia brasileira precisa se inserir nos debates internacionais. “As transformações provocadas pela tecnologia, pelos novos modelos de negócios e pela integração entre mercados já fazem parte da realidade profissional. Participar desse diálogo é também uma forma de preparar a advocacia para os desafios que estão surgindo e ampliar oportunidades de atuação além das nossas fronteiras.”
Marcus Vinícius Furtado Coêlho destacou o caráter global das mudanças. “A formação jurídica não pode mais estar limitada às fronteiras nacionais. É fundamental compreender diferentes ambientes regulatórios, acompanhar as novas tecnologias e fortalecer a cooperação entre instituições.”
No primeiro dia, o painel “Advocacia sem Fronteiras”, moderado por Bruno Barata, tratou de habilitação profissional, mobilidade, ética transfronteiriça, cooperação entre Ordens e educação continuada. Entre os debatedores citados estão o vice-presidente da International Bar Association, Jörg Menzer; o presidente da Ordem dos Advogados da Índia, Prashant Kumar; o vice-presidente da Ordem dos Advogados dos Emirados Árabes Unidos, Adil Fakhir; e o conselheiro da Ordem dos Advogados de Milão Diego Corrado.
A programação também abordou energia e operações transnacionais no eixo União Europeia–Mercosul. No segundo dia, os debates se concentraram em reforma tributária, inteligência artificial, compliance e impacto das novas tecnologias na gestão de escritórios. O encerramento institucional teve o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, e o presidente da Lugano Region, Rupen Nacaroglu.
Barata afirmou a intenção de consolidar Lugano como espaço permanente de conexão — uma “Davos Jurídica”, na expressão usada por ele — e indicou que a próxima edição deve ocorrer no segundo semestre de 2027.