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Segunda-feira, 7 de setembro de 2026

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Além dos honorários mensais, novo contrato previa cotas de jato e helicóptero

Peça de 19 de maio de 2025, citada em coluna do Metrópoles, liga Viking Participações a SPEs donas do Legacy 650 PP-NLR e de um Airbus EC155.

Por Redação
Publicado em 01/09/2026 às 16:58

O banqueiro Daniel Vorcaro, por meio da holding Viking Participações, firmou em 19 de maio de 2025 um contrato de prestação de serviços jurídicos de R$ 50 milhões com o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. De acordo com reportagem da coluna de Andreza Matais no portal Metrópoles, o pagamento seria feito com cotas de duas sociedades de administração de bem próprio.

A Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. (F24) figura como proprietária do Embraer Legacy 650 de prefixo PP-NLR. A Fraction 053 Administração de Bem Próprio S.A. (F53) estava, segundo o mesmo relato, adquirindo um helicóptero Airbus EC155 B1. O contrato integraria o acervo das apurações do caso Master em curso no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. 

O PP-NLR já havia aparecido em reportagens de 2026 sobre deslocamentos entre Brasília e São Paulo. A Anac registrou Alexandre de Moraes como passageiro dessa aeronave em 9 de julho de 2025; o jato era operado no contexto da Prime Aviation, estrutura que investigações e a imprensa associaram ao círculo empresarial de Vorcaro. O gabinete do ministro classificou como falsas as ilações de que ele teria viajado em avião “de Daniel Vorcaro”. O escritório Barci de Moraes afirmou ter contratado serviços de táxi aéreo, inclusive da Prime Aviation, e que valores teriam sido compensados em honorários. 

Esse acordo de maio de 2025 é distinto do contrato principal firmado no início de 2024 entre o Banco Master e a mesma banca. Aquele instrumento previa 36 parcelas mensais da ordem de R$ 3,6 milhões brutos (cerca de R$ 3 milhões líquidos), com valor global bruto próximo de R$ 131,3 milhões. Dados da Receita Federal levados à CPI do Crime Organizado indicam R$ 80,2 milhões pagos em 22 transferências entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou o Master. Metadados de uma versão do contrato, extraídos do celular de Vorcaro e confirmados pelo próprio escritório, apontam edição em perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, após consulta de compliance sobre impedimentos. A banca sustentou que não havia atuação prevista no STF e que Moraes jamais julgou causa do Master. 

Em junho, colunas já haviam noticiado que uma proposta de delação de Vorcaro, rejeitada pela PF, mencionava um segundo contrato de cerca de R$ 50 milhões com empresa ligada ao banqueiro e o escritório Barci de Moraes, que não teria sido assinado. A peça agora descrita pelo Metrópoles tem data, partes e forma de pagamento diferentes daquele relato. O escritório, em nota anterior sobre outro contrato alegado, afirmou não ter concretizado acordo adicional nem recebido honorários extra. Não houve, até o fechamento desta edição, manifestação específica das partes sobre as cotas do PP-NLR. 

A relevância pública está no acúmulo de vínculos: honorários milionários, uso da mesma aeronave em registros de passageiros e, agora, um instrumento que previa transferência de cotas de SPEs donas de jato e helicóptero como forma de pagamento. Nada disso, por si só, equivale a julgamento de ilícito. Cabe à investigação sob relatoria de Mendonça e aos órgãos de controle aeronáutico e societário esclarecer se as cotas foram efetivamente integralizadas, registradas e em que percentual.