A revista piauí publicou, nesta sexta-feira (18 de setembro de 2026), reportagem em que reproduz mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a Luiz Rennó, então seu advogado de confiança no banco. Nos diálogos, o cartão de contato do advogado Kevin de Carvalho Marques — filho do ministro do STF Kassio Nunes Marques — aparece ligado a pagamentos e, após um julgamento no Supremo, à frase “Dominado aqui.”
Segundo a piauí, em 1º de outubro de 2024 Rennó escreveu a Vorcaro “Ganhamos alcidia”, informou o placar 3 a 2 na Segunda Turma (Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques contra Gilmar Mendes e André Mendonça) e, minutos depois, reenviou o contato de Kevin com a legenda “Dominado aqui.” O processo era da Destilaria Alcídia, com impacto em precatórios do setor sucroalcooleiro — carteira que a Polícia Federal associou ao Master em valor superior a R$ 10 bilhões. Kassio havia se declarado impedido em fevereiro de 2024 e, em março, afastou o impedimento; votou em 1º de outubro.
A reportagem articula essas mensagens a um relatório do Coaf: entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Master fez 14 transferências à Consult Inteligência Tributária, no total de R$ 6,632 milhões. No mesmo intervalo, a Consult transferiu R$ 282 mil a Kevin Marques, em 11 operações. Em 4 de julho de 2025, Rennó perguntou a Vorcaro se mantinha “500 mil mês” associado ao contato de Kevin; em 8 de agosto, citou a Consult entre “pagamentos essenciais”. A Consult foi criada em 2022 pelo contador Francisco Craveiro, descrito pela piauí como amigo de longa data do ministro.
Por assessoria, Nunes Marques afirmou à piauí que “compreendeu que tecnicamente não estava impedido, por se tratar de tese ampla”, que votou no mesmo sentido quando estava no TRF-1 e que “o ministro nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro.” Kevin Marques disse que os R$ 281,6 mil da Consult foram remuneração por serviços tributários administrativos, que não prestou serviço ao Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro e que sua atuação “não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal.” Em 15 de setembro de 2026, no plenário, o ministro repetiu que o filho nunca foi remunerado pelo banco e declarou-se impedido no julgamento então em curso.
A piauí também relata outros episódios — pedido de ajuda para viagem, cobrança “com Kassio” e voo a Maceió em jato ligado a advogada que atuava para o Master. Esses pontos constam da reportagem e de cobertura posterior; não equivalem, por si, a decisão judicial sobre ilícito. Kassio segue ministro do STF e presidente do TSE. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no âmbito das investigações do Master.