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Sexta-feira, 18 de setembro de 2026

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Vorcaro mandou “atacar” Celina Leão por ela ir a público contra o Master

Material da Compliance Zero confirma conversa de 5 de abril de 2025 entre Daniel Vorcaro e Thiago Miranda. A Folha registrou ausência de mensagens com a governadora. O GDF afirma que ela se opôs à compra do Master pelo BRB.

Por Redação
Publicado em 17/09/2026 às 09:52
Atualizado em 17/09/2026 às 16:50

BRASÍLIA — A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), é citada em mensagens de 5 de abril de 2025 entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o publicitário Thiago Miranda. O diálogo, tornado público no material da Operação Compliance Zero e revelado pela Folha de S.Paulo em 15 de setembro de 2026 — com autenticidade confirmada pelo g1 e pela TV Globo —, não contém conversa com a governadora nem descreve ato concreto dela na negociação. O que o texto registra, com clareza, é outra coisa: irritação de Vorcaro com a “descredibilização” dele e do Master e a orientação de “atacar”.

À época, Ibaneis Rocha (MDB) era governador e Celina, vice. O Conselho de Administração do BRB havia aprovado, dias antes, a compra de 58% do Master. A operação ainda dependia de Banco Central e Cade e não se consumou.

Miranda encaminhou a Vorcaro o link da reportagem de O Globo “O climão na cúpula do governo do Distrito Federal com a compra bilionária do Master”, na qual Celina declarava: “Não tenho conhecimento sobre a operação, não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa.” Em seguida, Miranda escreveu:

“A Celina eu conheço muito bem. Ela agora está querendo aparecer porque ficou de fora da negociação.”

Vorcaro respondeu:

“[Celina] Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política. Discussão política da operação não me preocupa, se esse for o novo foco. O problema é a descredibilização minha e do Master. Isso sim, temos que atacar.”

A segunda parte da fala é o núcleo jornalístico do recorte. Vorcaro não descreve reunião, assinatura, propina ou instrução da então vice. Ele classifica a postura pública dela como jogo político e aponta o alvo: o desgaste da imagem dele e do banco. É esse trecho que a governadora usa para dizer que a “ordem foi partirem para o ataque” porque ela era contrária ao negócio.

O que o material não mostra

A própria Folha fez o recorte que a manchete de muitos portais omitiu: “No material, não há conversas diretas com a governadora ou descrições da participação dela no negócio.” Sem esse aviso, a frase “não ficou de fora” vira prova. Com o aviso, vira alegação de um investigado, em conversa com terceiro, sem lastro operacional no mesmo conjunto de mensagens.

A defesa de Thiago Miranda reforçou a leitura restritiva. O advogado Rafael Martins afirmou que, “pelo que era do seu conhecimento, Celina Leão não participou da negociação” e que a própria mensagem de Miranda “expressa justamente a percepção de que ela havia ficado de fora”.

A versão do GDF e o registro público de 2025

Em nota oficial, o GDF sustentou:

“Não é verdade que a governadora Celina Leão tenha participado de qualquer tipo de negociação em torno da compra do Master pelo BRB. E nem as afirmações do senhor Vorcaro levam a qualquer tipo de interpretação nesse sentido. As declarações deles comprovam que a governadora Celina Leão sempre foi contra a compra do Master pelo BRB, seis meses antes da deflagração da operação policial que levou à prisão de Daniel Vorcaro.”

A nota remete à reportagem de O Globo de 5 de abril de 2025 e lembra que Celina não descartava “rever a operação assim que assumisse o cargo”.

Depois da Folha, a governadora publicou vídeo. Chamou a matéria de “fora de contexto”, negou “qualquer tipo de contato” com Vorcaro e disse:

“Seis meses antes de qualquer tipo de operação [policial], eu já era contrária. (…) A ordem foi muito clara: que eu estava desacreditando e descredibilizando o Master e a ele. E a ordem foi partirem para o ataque.”

E ainda: “É o diálogo de terceiros que se unem, inclusive, para me atacar porque eu era contrária a esta operação.”

Em sabatina na Globo no mesmo 15 de setembro, Celina repetiu que discordou “desde o primeiro momento” da tese de “nacionalizar” o BRB via Master, que seu papel como vice era “muito restrito a representação política e cumprimento de agendas”, que não sabia da compra de ativos e que tinha “problema pessoal” com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — preso na Compliance Zero. Disse também que o prejuízo relevante do BRB não veio da compra de ações (que o BC impediu), e sim da aquisição de carteiras/títulos do Master.