Documento divulgado na segunda-feira (7/9) manifesta confiança no presidente da Corte e pede urgência, sem citar ministros ou o Caso Master.
Um grupo de 13 ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal enviou carta ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, pedindo a designação urgente de sessão pública para que o Plenário determine “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal”, dos fatos que, segundo o texto, vêm comprometendo o prestígio e a autoridade do tribunal.
O documento, divulgado na noite de segunda-feira (7 de setembro de 2026), afirma “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin e classifica o episódio como a “mais aguda crise” da história do STF. Os signatários dizem ter “absoluta convicção” de que o presidente convocará a sessão.
A carta não nomeia ministros da atual composição, não menciona o Banco Master nem pede afastamento de integrantes da Corte. Limita-se a cobrar apuração pública e regular dos “gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”.
Assinam, na ordem divulgada pela imprensa: Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber. Vários deles presidíram o STF em décadas diferentes.
O pedido ocorre em meio à crise interna aberta após o ministro André Mendonça, relator de inquérito ligado ao Caso Master, determinar a retirada de sigilo de trechos da investigação da Polícia Federal. Relatórios e reportagens passaram a circular com mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro e a um contato associado ao ministro Alexandre de Moraes. Moraes reagiu pedindo apuração contra o colega; Mendonça confirmou depois um encontro com Vorcaro em março de 2025, em São Paulo. Esses episódios formam o contexto da crise; não constam do texto da carta.
Até a publicação desta matéria, o Supremo não havia divulgado, em nota oficial no portal da Corte, a designação da sessão pedida pelos aposentados. A decisão sobre o rito — plenário físico, virtual ou outro encaminhamento — cabe à Presidência, nos termos regimentais.
A carta reforça um ponto institucional: a resposta, se houver, deve ser colegiada, pública e submetida ao devido processo, e não a um ajuste apenas monocrático. A ÉNotório atualizará a cobertura se Fachin designar a sessão ou se o Plenário deliberar sobre a forma da apuração.