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Terça-feira, 8 de setembro de 2026

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Contrato do escritório de Viviane com Vorcaro foi alterado em perfil de Moraes, diz Estadão

Arquivo extraído do celular de Daniel Vorcaro registra alteração às 23h04 de 15 de janeiro de 2024. O jornal afirma ter solicitado posicionamento do ministro.

Por Redação
Publicado em 01/09/2026 às 14:09
Atualizado em 01/09/2026 às 15:49

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta terça-feira (1º/9) que metadados de um contrato de honorários advocatícios de cerca de R$ 131 milhões, firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes e o então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, registram a última edição no perfil do Microsoft Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. 

Segundo a reportagem, o arquivo estava no celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Os dados técnicos da aba “Propriedades” do documento indicariam alteração às 23h04 de 15 de janeiro de 2024 — cerca de 1 hora e 40 minutos depois de o banqueiro ter devolvido o arquivo a Viviane. Na versão analisada, o campo de “autor” aparece no nome de Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes. 

O Estadão afirma ter pedido manifestação ao ministro. Até o fechamento desta matéria, as fontes consultadas não reproduziam resposta específica a essa apuração de metadados.

O contrato previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos (R$ 108 milhões). A 11ª cláusula, conforme o jornal, estabelecia valor bruto de R$ 3.646.529,77 por parcela, livre de impostos para o contratado, totalizando cerca de R$ 131,27 milhões. 

Diálogos já publicados pelo próprio Estadão mostram que, em 17 de janeiro de 2024, Viviane Barci enviou a Vorcaro a mensagem “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”. Cinco dias depois, o banqueiro perguntou se a assinatura seria eletrônica ou em vias físicas. 

Declaração de Imposto de Renda do Master enviada à CPI do Crime Organizado, segundo o Estadão, aponta R$ 80.223.653,84 pagos ao escritório entre 2024 e 2025, em 22 parcelas, até a liquidação do banco pelo Banco Central após a prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. O escritório Barci de Moraes afirmou, à época, que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente” e lembrou o sigilo fiscal. 

Em nota de março de 2026, a banca disse ter sido contratada de fevereiro de 2024 a novembro de 2025 para consultoria jurídica, com equipe de 15 advogados e coordenação de outros três escritórios; relatou 94 reuniões (79 presenciais na sede do banco) e 36 pareceres; e afirmou que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF”. 

Metadados de arquivo eletrônico registram perfil de edição. Não equivalem, por si sós, a prova de autoria material de cada cláusula nem a juízo sobre legalidade do contrato. O espaço para o ministro, o escritório e a defesa de Vorcaro permanece aberto.