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Domingo, 30 de agosto de 2026

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A hora de Salomão: novo presidente assume o desafio de mudar o STJ

Criado pela Constituição de 1988 para uniformizar a interpretação da legislação federal, o STJ acabou pressionado por um volume gigantesco de recursos e, muitas vezes, funcionando, na prática, como uma terceira instância revisora.

Por Valdetário Monteiro
Publicado em 30/08/2026 às 01:58

O ministro Luis Felipe Salomão assumiu a presidência do Superior Tribunal de Justiça com uma promessa que será seu maior desafio nos próximos dois anos: devolver o tribunal à sua vocação constitucional.

Criado pela Constituição de 1988 para uniformizar a interpretação da legislação federal, o STJ acabou pressionado por um volume gigantesco de recursos e, muitas vezes, funcionando, na prática, como uma terceira instância revisora.

Salomão assume justamente quando essa lógica começa a mudar.

A implantação do critério da relevância da questão federal tende a ser o ponto de virada. O mecanismo permitirá ao tribunal concentrar sua atuação nas controvérsias jurídicas com efetiva relevância econômica, política, social ou jurídica e fortalecer seu papel como Corte de precedentes.

Não por acaso, Salomão falou em um “novo tempo” para o tribunal e estabeleceu três compromissos: qualidade das decisões, transparência e acesso dos cidadãos.

Também colocou a inteligência artificial e as ferramentas tecnológicas entre os instrumentos para melhorar a prestação jurisdicional.

Salomão chega à presidência com experiência administrativa, conhecimento profundo do Judiciário e capacidade de articulação institucional. A própria posse, reunindo representantes dos principais Poderes e instituições do sistema de Justiça, demonstrou o capital político com que inicia o biênio.

Mais do que julgar menos processos, o STJ precisa selecionar melhor o que julga, produzir precedentes mais fortes e oferecer maior previsibilidade ao sistema de Justiça.

Salomão ajudou a construir parte das mudanças que agora terá a responsabilidade de executar.

Daqui a dois anos, sua gestão será medida menos pela fotografia da posse e mais pelo STJ que entregará ao seu sucessor.

Se conseguir deixar uma Corte menos congestionada, mais previsível e concentrada em sua missão constitucional, terá produzido mais do que uma boa administração.