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Domingo, 30 de agosto de 2026

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Cura do Câncer: FDA aprova pílula que quase dobra a sobrevida no câncer de pâncreas metastático

Por Ivelise Maia
Publicado em 29/08/2026 às 17:33
Atualizado em 29/08/2026 às 22:41

O comprimido diário da Revolution Medicines vale para pacientes já tratados ou inaptos à quimioterapia combinada. O preço de tabela é alto e o medicamento não está aprovado pela Anvisa.

A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) aprovou, em 26 de agosto de 2026, o daraxonrasib, comercializado como Rasonque, para adultos com adenocarcinoma pancreático metastático que já receberam pelo menos uma terapia sistêmica ou que não são candidatos a tratamento com múltiplos fármacos. A decisão saiu cerca de seis meses e meio antes do prazo regulatório ordinário.

O medicamento é um comprimido de 300 mg, via oral, uma vez ao dia, até progressão da doença ou toxicidade inaceitável. Atua como inibidor da família RAS, via de sinalização presente na maior parte dos adenocarcinomas de pâncreas. Não cura a doença: prolonga a sobrevida em um cenário historicamente de poucas opções depois da primeira linha.

A base da aprovação é o ensaio randomizado RASolute 302, com 500 adultos. Na população geral, a sobrevida global mediana foi de 13,2 meses com daraxonrasib e 6,7 meses com quimioterapia padrão (razão de risco 0,40). A sobrevida livre de progressão mediana foi de 7,2 meses contra 3,6 meses. A taxa de resposta objetiva ficou em 31,6% versus 11,2%. Efeitos adversos frequentes incluem erupção cutânea, diarreia, inflamação da mucosa oral, náusea, fadiga, vômito, dor abdominal, edema, perda de apetite e hemorragia. 
A Revolution Medicines informou preço de aquisição no atacado de cerca de US$ 39,8 mil por 30 dias no esquema recomendado — da ordem de US$ 477 mil a US$ 478 mil por ano de tabela. Esse valor não é, necessariamente, o desembolso do paciente: planos comerciais, Medicare e programas de assistência podem reduzir o gasto direto. A companhia afirmou que pacientes elegíveis com seguro comercial podem chegar a copagamento zero. Mais de 2 mil pessoas já haviam recebido o fármaco em acesso antecipado antes do registro.

No Brasil, a Anvisa não figura, nas fontes oficiais consultadas, como tendo autorizado o produto. Sem registro local, não há comercialização regular nem incorporação automática ao SUS ou aos planos. Qualquer uso no país dependeria de importação excepcional, ensaio clínico ou decisão futura da agência e da Conitec — caminhos que ainda não foram confirmados nesta pauta.

O avanço é real e inédito na classe, mas a conta de acesso começa agora: quem paga, em que linha de tratamento e com qual critério de mutação RAS.