O administrador da banca de advocacia Engels Augusto Muniz , sócio do candidato a vice na chapa de Celina Leão (PP) no Distrito Federal, faturou R$ 56 milhões pela sociedade individual de advocacia de Engels Augusto Muniz junto a duas empresas, uma de onibus e outra de lixo, contratadas pelo governo distrital. O UOL obteve 193 notas fiscais emitidas entre janeiro de 2023 e setembro de 2026: R$ 43,4 milhões (121 notas) à Auto Viação Marechal e R$ 13 milhões (72 notas) à Sustentare Saneamento. As notas trazem só “serviços jurídicos”, “serviços advocatícios” ou “advocacia”, sem identificar processo ou contrato. A maior nota, R$ 6,3 milhões, saiu em 14 de fevereiro de 2025, no mesmo dia de outra de R$ 3,8 milhões.
Muniz administrou o Vale Rocha e Passamani Advogados de março de 2020 a 8 de junho de 2026. No período, Rocha foi chefe da Casa Civil (até 2 de abril de 2026) e Marcela Passamani, secretária de Justiça; os dois são casados. O GDF prorrogou por dez anos o contrato da Marechal; o TCDF depois vedou nova postergação da frota. Engels, pela Sustentare, obteve cautelar no TCDF contra glosa do SLU.
Muniz foi conselheiro do CNMP (2021–setembro de 2025) e ocupou cadeiras no BRB. A Folha registrou R$ 3 milhões do Master/Vorcaro ao advogado. A campanha de Celina e Rocha disse que a governadora “nunca se manifesta sobre pagamentos realizados por terceiros envolvendo negócios privados”. Rocha, segundo interlocutores, colocou Engels na administração para o escritório não ficar sem gestor.
Engels afirmou ao UOL que os valores são honorários de mais de 300 processos (TJDFT, TRT-10, STJ), que nunca foi sócio de Rocha e que administrou a banca “sem remuneração”. Marechal e Sustentare confirmam contratação e sigilo profissional. Muniz classificou como “gravíssimo” o vazamento fiscal.
Em 2020, reportagem de Guilherme Amado no Globo/Época divulgou auditoria preliminar da Corregedoria dos Correios (6/11/2020) sobre contratação da Accenture por R$ 44 milhões, aprovada por Muniz e outros conselheiros da CorreiosPar. O relatório falou em prejuízo de R$ 10,9 milhões e em falta de lealdade. Muniz disse então que o TCU havia arquivado representação sobre os mesmos fatos. Auditoria preliminar e arquivamento no TCU não se confundem com condenação.