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Sábado, 29 de agosto de 2026

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Vorcaro depõe hoje a PF e na Papudinha sofre denúncia de regalias e versões em conflito

Por Ivelise Maia
Publicado em 27/08/2026 às 13:39

Daniel será ouvido pela Polícia Federal nesta quinta-feira (27/8), em mais uma etapa das investigações envolvendo o Banco Master. O depoimento está marcado para as 10h e deve se concentrar na apuração sobre uma suposta articulação para evitar a liquidação da instituição pelo Banco Central. A expectativa é de que o banqueiro não avance sobre seus contatos políticos e jurídicos.

A oitiva ocorrerá por videoconferência, diretamente da Papudinha, como é conhecida a unidade do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal onde Vorcaro está preso. Será a primeira vez que o ex-controlador do Master prestará um depoimento formal desde que duas propostas de colaboração premiada apresentadas por sua defesa foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Já na Papuda há uma denúncia divulgada pelo portal Poder Paraná atribui ao empresário Daniel Vorcaro, preso preventivamente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — unidade conhecida como Papudinha —, tratamento diferenciado em relação à rotina da custódia. Segundo o relato, ele teria usado três vezes por semana a academia reservada a policiais da unidade e recebido uma sacola de alimentos enviada de fora, com itens como picanha, queijos, doces, bebidas, frutas, pães e suplementos.

A mesma denúncia afirma que o acesso à academia teria sido autorizado em 17 de julho pelo tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes. Até o fechamento desta matéria, a ÉNotório não localizou documento oficial público que confirme a autorização nem o conteúdo da sacola.

Vorcaro foi transferido para a Papudinha em 25 de junho de 2026, por decisão do ministro André Mendonça, do STF, relator do caso Master. A medida ocorreu após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitarem propostas de colaboração premiada. O empresário é investigado na Operação Compliance Zero por suspeitas que incluem fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligadas ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central. A defesa nega as acusações.
A Papudinha é ala de custódia administrada pela PMDF, no Complexo da Papuda, e costuma receber presos com regime diferenciado por segurança ou prerrogativa legal. No mesmo complexo está o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também investigado no caso. Mendonça determinou incomunicabilidade entre os dois.

A defesa de Vorcaro afirmou desconhecer qualquer benefício e disse que ele observa as mesmas regras aplicadas aos demais presos da unidade. A PMDF declarou que cumpre determinações judiciais, mas não esclareceu, na versão reproduzida pela denúncia, se o empresário utiliza a academia ou se alimentos externos foram autorizados.

Há informações jornalísticas em sentidos distintos sobre a rotina. Em 11 de julho, o Metrópoles registrou que, após 15 dias na unidade, Vorcaro não tinha acesso à televisão nem à academia e que comida de fora não havia sido autorizada. Em 22 de agosto, a VEJA informou que o banqueiro “pode usar a academia da unidade” e que se exercita também na cela. Nenhuma das duas publicações descreveu, nas partes consultadas, a sacola com picanha nem a autorização nominal de 17 de julho.

O caso, portanto, permanece no campo da denúncia. Não há, até agora, confirmação oficial de que Vorcaro tenha recebido regalias ou descumprido o regime da unidade. Qualquer alteração de rotina em estabelecimento prisional depende de autorização da direção e, quando exigido, de decisão judicial.